Portal O Debate
Grupo WhatsApp

Reforma no Ensino Médio: cada vez mais, cada vez menos

Reforma no Ensino Médio: cada vez mais, cada vez menos

18/10/2016 Daniel Medeiros

Empobrecer o currículo do Ensino Médio é como destruir a floresta.

Mr Holland, personagem vivido por Richard Dreyfuss, passou 30 anos ensinando música no Ensino Médio, até ter de se aposentar por causa do corte de verbas da disciplina, em um desses momentos nos quais a racionalização dos recursos para a Educação, cada vez mais escassos, exigia fazer escolhas.

E, é lógico, o dinheiro sobrava para as coisas mais “úteis”, mais “práticas”, mais “adequadas” para o futuro imediato dos jovens. A ideia de uma Educação como preparação e não como formação é a ideia de morte da Educação e a vitória do adestramento, da domesticação, do treinamento para ser trabalhador e não para ser gente.

O fim do filme é a redenção dos que sofrem com a estupidez das ideias práticas, como se elas fosses as únicas possíveis , necessárias. Antes de deixar a escola, o professor veterano é chamado para ir a uma sala e lá, para a sua surpresa, estão homens e mulheres que foram seus alunos de música ao longo dos 30 anos, para homenageá-lo.

Lá está, inclusive, a governadora do Estado, com seu clarinete que um dia foi seu tormento, mas que, graças ao empenho e dedicação do professor que sabia que o aprendizado não é de uma disciplina mas de um jeito de viver, conseguiu superar e, com isso, aprendeu a ultrapassar outras dificuldades e tornar-se chefe do Executivo.

Ah, como é imensa a miopia dos utilitaristas! Empobrecer o currículo do Ensino Médio é como destruir a floresta. Perde-se, antes de conhecer, a chance de tantas descobertas; elimina-se, pela raiz, talentos e criações. Mas, acreditam os burocratas, ganha-se em maior “interesse” dos alunos e diminui-se a evasão.

Como se a evasão fosse pelo excesso de disciplinas. A evasão é pela falta de significado dos conhecimentos produzidos pela escola, pela falta de envolvimento dos que deveriam ser seus protagonistas, pela falta de cumplicidade com o conhecimento que nos torna, a todos, mais humanos.

Há um diálogo de milhares de anos ao qual chamamos de conhecimento. Um diálogo que nasce com a perplexidade e com a curiosidade, com o ceticismo e com a inquietação. Esses são os sentimentos que precisam ser resgatados na escola.

Tendo-os, não haverá limites para o que se queira aprender, pois que somos pequenos e o tempo é curto para tanto. Se não se cria uma comunidade de aprendizado; se não se apresenta os mistérios do mundo como aventuras para as quais todos são “detetives” convidados: se não se envolve, de corpo e alma, na dúvida e na dificuldade, não como um discurso de fracasso, mas como um desafio para a superação, aí que se fechem as portas e transformem as escolas em, sabe-se lá, pátios de shoppings.

Terá melhor proveito. A reforma proposta pelo síndico de plantão do Executivo nacional faz do Ensino Médio menos do que poderia ser. Menor, mais tímido, mais defasado. Certamente venderão os resultados como “conquistas”.

Quando se acha que sair de 3,7 e chegar a 4,2 é uma conquista, quando se pode sair de perplexidades e chegar a maravilhamentos, quando se pode sair de mistérios e chegar a singulares revelações, bom, isso diz mais de quem está propondo a reforma do que dos jovens que nem perceberão o quanto sairão mais pobres e desvalidos de mais esse capítulo triste da história da educação nacional.

* Daniel Medeiros trabalha no Ensino Médio há 32 anos, sempre aprendendo. É doutor em Educação pela UFPR e professor do Curso Positivo.



Eleições para vereadores merecem mais atenção

Em anos de eleições municipais, como é o caso de 2024, os cidadãos brasileiros vão às urnas para escolher prefeito, vice-prefeito e vereadores.

Autor: Wilson Pedroso


Para escolher o melhor

Tomar boas decisões em um mundo veloz e competitivo como o de hoje é uma necessidade inegável.

Autor: Janguiê Diniz


A desconstrução do mundo

Quando saí do Brasil para morar no exterior, eu sabia que muita coisa iria mudar: mais uma língua, outros costumes, novas paisagens.

Autor: João Filipe da Mata


Por nova (e justa) distribuição tributária

Do bolo dos impostos arrecadados no País, 68% vão para a União, 24% para os Estados e apenas 18% para os municípios.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


Um debate desastroso e a dúvida Biden

Com a proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos, marcadas para novembro deste ano, realizou-se, na última semana, o primeiro debate entre os pleiteantes de 2024 à Casa Branca: Donald Trump e Joe Biden.

Autor: João Alfredo Lopes Nyegray


Aquiles e seu calcanhar

O mito do herói grego Aquiles adentrou nosso imaginário e nossa nomenclatura médica: o tendão que se insere em nosso calcanhar foi chamado de tendão de Aquiles em homenagem a esse herói.

Autor: Marco Antonio Spinelli


Falta aos brasileiros a sede de verdade

Sigmund Freud (1856-1939), o famoso psicanalista austríaco, escreveu: “As massas nunca tiveram sede de verdade. Elas querem ilusões e nem sabem viver sem elas”.

Autor: Samuel Hanan


Uma batalha política como a de Caim e Abel

Em meio ao turbilhão global, o caos e a desordem só aumentam, e o Juiz Universal está preparando o lançamento da grande colheita da humanidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


De olho na alta e/ou criação de impostos

Trava-se, no Congresso Nacional, a grande batalha tributária, embutida na reforma que realinhou, deu nova nomenclatura aos impostos e agora busca enquadrar os produtos ao apetite do fisco e do governo.

Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves


O Pronto Atendimento e o desafio do acolhimento na saúde

O trabalho dentro de um hospital é complexo devido a diversas camadas de atendimento que são necessárias para abranger as necessidades de todos os pacientes.

Autor: José Arthur Brasil


Como melhorar a segurança na movimentação de cargas na construção civil?

O setor da construção civil é um dos mais importantes para a economia do país e tem impacto direto na geração de empregos.

Autor: Fernando Fuertes


As restrições eleitorais contra uso da máquina pública

Estamos em contagem regressiva. As eleições municipais de 2024 ocorrerão no dia 6 de outubro, em todas as cidades do país.

Autor: Wilson Pedroso