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“Perdoai-nos as nossas ofensas: dai-nos a Vossa paz”

“Perdoai-nos as nossas ofensas: dai-nos a Vossa paz”

01/01/2024 Padre João Gualberto Ribeiro da Silva

A celebração do Dia Mundial da Paz foi iniciada na década de 1960, sendo originalmente proposta pelo pontífice Paulo VI, em 1967.

Com a aprovação da ideia, sua primeira celebração se deu em 1º de janeiro de 1968. Desde então, todo primeiro dia do ano, o Papa traz uma mensagem de reflexão sobre o tema.

Para compor a 58ª mensagem para o dia mundial da paz, papa Francisco tomou como referência as encíclicas Laudato Si e Fratelli Tutti, conclamando a igreja e o mundo inteiro para construir a paz. Este Dia Mundial da Paz está dentro do Ano Santo - Peregrinos de esperança -, de forma que o tema acima proposto está no sentido do perdão e da reconciliação para se chegar à paz.

Vamos procurar entender o que é o perdão, a ofensa e a paz de Deus! A história humana traz um problema que o homem, em todos os tempos, busca solucionar e não consegue sozinho: o pecado, que quer dizer erro de objetivo. 

Desde que o pecado entrou no mundo, o homem vive numa ambiguidade entre o certo e o errado, tanto que hoje, ignora-se o pecado e se considera tudo como normal. É o pior desvio de conduta da humanidade. A indiferença para com o bem e a dignidade da pessoa humana. Só Deus pode perdoar o homem e capacitá-lo para o bem. Mas se o homem despreza a Deus e Sua proposta de vida e salvação, o homem jamais será salvo. Nós, homens, frágeis mortais, ofendemos a Deus com nosso orgulho e prepotência. A ofensa é atribuir a Deus a causa do meu pecado, fui eu que pequei, não foi Deus, portanto quem precisa pedir perdão somos eu e você, como dizemos na oração do Pai Nosso: “Perdoai-nos as nossas ofensas”. 

Entre os homens há ofensas e essas podem culminar na morte e destruição do outro, por isso que a segunda parte da oração é: “assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. A proposta dentro deste ano jubilar é oferecer aos fiéis e a todos os homens de boa vontade uma grande reconciliação. Não é simplesmente assinar um compromisso de perdão, mas torná-lo efetivo do fundo do nosso coração. 

Precisamos ser luz de vida para os nossos irmãos! Por isso que Jesus não se cansava de anunciar a boa nova aos pecadores, porque mesmo que eles não a acolham, pelo menos ficam sabendo da proposta de salvação que Deus tem para eles.

Quando pedimos a Deus: “Dai-nos a vossa paz”, queremos dizer: assim como Deus é paz e nada o perturba, pois Ele é Santo, Verdadeiro, pleno de glória, em paz consigo e com toda criação, assim nós também queremos estar em paz: feridas curadas, mágoas perdoadas, reconciliados com os outros e com Deus. Essa é a paz que vem de Deus, quando eu estou vazio de pecados, feridas, ressentimentos, e fico de bem comigo mesmo, com Deus e a sua criação. Essa é a paz que gostaríamos de ter, a plenitude de vida.

A paz é precedida pela virtude da esperança. Nós queremos paz, mas o mundo quer guerra e, muitas vezes, nos sentimos impotentes diante dessas coisas todas que nos envolvem. Podemos cair no desânimo, mas a esperança nos dá a certeza da superação, pois Deus nunca desamparou seu povo e Ele é nossa justiça, confiemos em Sua Palavra, esperemos Nele, o nosso libertador. Na vivência da esperança, pratiquemos o perdão, pois o perdão tem o poder de tudo transformar, é o “objeto” de nossa esperança.

Caros leitores, o ano novo é uma folha em branco, nele podemos corrigir nossos erros passados, superar nossas dificuldades, escrever uma nova vida e ter esperança em Jesus, o Príncipe da Paz.

Feliz Ano Novo!

* Padre João Gualberto Ribeiro da Silva é reitor do Santuário do Pai das Misericórdias, na Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

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