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Fertilizantes, a invenção que mais salvou vidas na história

Fertilizantes, a invenção que mais salvou vidas na história

21/02/2025 Valter Casarin

Em 1898, estudos britânicos mostraram que uma fome mundial era iminente.

Fertilizantes, a invenção que mais salvou vidas na história

A produção agrícola era insuficiente para atender ao crescimento populacional e esperava-se que até 1,5 bilhão de pessoas morreriam de fome até 1930. 

Foi então que o químico alemão Fritz Haber, em 1909, criou o princípio de sintetizar amônia a partir do nitrogênio atmosférico. Carl Bosch então industrializou essa descoberta. O desenvolvimento do processo Haber-Bosch, usado até hoje, fez explodir a produção de amônia, usada na fabricação de fertilizantes nitrogenados. E esses fertilizantes foram responsáveis por salvar a população do desastre da fome.

A descoberta de Fritz Haber é considerada uma das mais importantes da história da humanidade. Estima-se que esse químico salvou 3,5 bilhões de vidas. A Fundação Nobel decidiu conceder-lhe o Prêmio Nobel de Química em 1920. Temos a tendência de subestimar essas inovações que aumentam nossa expectativa de vida ao longo das décadas. Mas, a inovação dos fertilizantes sintéticos vem em primeiro lugar, como aquela que mais salvou vidas desde seu uso, em 1909, no setor agrícola.

Os solos naturalmente ricos em nutrientes são excelentes para a agricultura, porque são particularmente férteis. No entanto, como os nutrientes são absorvidos pelas plantas e seus produtos (frutos, grãos ou folhas) são exportados para compor o nosso alimento, eles levam consigo os nutrientes que foram retirados do solo. Sabe no que isso implica? Na redução da fertilidade do solo e consequentemente, na diminuição do rendimento das culturas a cada colheita. Portanto, é necessário repor os nutrientes para restaurar a fertilidade do solo e obter uma produção regular, ano após ano.

Portanto, para manter a capacidade do solo de produzir alimentos, é preciso que seja feita a reposição dos seus nutrientes. É aí que o papel dos fertilizantes ganha imenso destaque, pois esse é o meio mais rápido e barato para manter um solo produtivo. Graças aos fertilizantes, a produtividade das culturas tem experimentado um crescimento exponencial que continuará por muitos anos.

Com o crescimento da população mundial, que deve chegar a 10 bilhões de pessoas em 2050, a demanda por fertilizantes só tende a crescer.

Paralelo a esse número, globalmente, mais de 700 milhões de pessoas passam fome, o que significa que seu acesso à comida é limitado a ponto de colocar suas vidas em risco. Em muitos países em desenvolvimento, um dos principais obstáculos à produção de alimentos é o acesso a fertilizantes, que enriquecem o solo com os nutrientes necessários para plantações vigorosas.

Os fertilizantes são essenciais na agricultura praticada no mundo hoje. Na forma mineral ou orgânica, eles fornecem nutrientes que permitem um crescimento mais rápido das plantas. Eles são, portanto, ainda mais utilizados porque a demanda por produtos alimentícios, que acompanha a demografia global, quadruplicou em um século.

Os fertilizantes são compostos principalmente pelos elementos nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), em proporções precisas: uma deficiência ou uma overdose pode ser prejudicial ao desenvolvimento de uma planta. Acredita-se que seu uso na agricultura tenha sido acelerado pelos conflitos globais da primeira metade do século XX, que levaram à industrialização da produção de amônio a partir do nitrogênio atmosférico. Entretanto, o fornecimento de potássio e fósforo depende diretamente da mineração. É, portanto, um recurso limitado e concentrado em certas regiões do globo.

Os fertilizantes se tornaram essenciais para nossos sistemas alimentares atuais. Entretanto, sua produção depende direta ou indiretamente de recursos naturais finitos e pouco presentes no território nacional. Essa vulnerabilidade é explorada pelos países produtores desses recursos para ter influência no cenário internacional.

Embora a situação do fornecimento de fertilizantes não seja tão crítica como no início do século XX, o contexto atual em que ela ocorre é preocupante. A mudança na estrutura demográfica da população agrícola tem sido baseada, em parte, por meio do uso massivo de fertilizantes, cujo fornecimento nem sempre é garantido e se baseia em frágeis equilíbrios industriais e diplomáticos. Em suma, é urgente melhorar a acessibilidade física e financeira aos fertilizantes para evitar o prolongamento da crise alimentar. Vidas e meios de subsistência dependem das escolhas dos formuladores de políticas.

* Valter Casarin, coordenador geral e científico da Nutrientes Para a Vida é graduado em Agronomia pela Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias/UNESP, Jaboticabal, em 1986 e em Engenharia Florestal pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"/USP, Piracicaba, em 1994. 

Foto: Divulgação

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