Grupo WhatsApp

A maldição da aula divertida

A maldição da aula divertida

15/04/2024 Daniel Medeiros

Nem tudo o que precisamos aprender para compreender o mundo é divertido ou pode ser aprendido em meio a jogos lúdicos ou brincadeiras dinâmicas.

A maldição da aula divertida

A Educação sobrecarregou-se, nas últimas décadas, com uma obrigação que vem sufocando sua capacidade de gerar aprendizado  consistente e de transmitir a herança cultural para as futuras gerações: a obrigação de ser divertida.

Uma das justificativas que buscam explicar o insucesso da escola nos dias de hoje é o fato de as crianças e os jovens não gostarem das aulas, de as explicações serem “chatas" e não guardarem relação com suas vidas cotidianas. Por isso, os jovens não estudam e não aprendem. No Ensino Médio, esse fenômeno já ganhou ares de crise, com uma população de mais de dez milhões de adolescentes que nem estudam e nem trabalham. É preciso tornar a escola uma coisa mais atrativa para eles, dizem. E por atrativa leem “divertida".

No entanto, há uma contradição que precisa ser encarada nessa equação que insiste em colocar necessariamente a ludicidade, diversão e alegria no processo de aprendizado. Nem tudo o que precisamos aprender para compreender o mundo é divertido ou pode ser aprendido em meio a jogos lúdicos ou brincadeiras dinâmicas, como se fossem games ou gincanas. Desde sempre, como afirmou Aristóteles, os seres humanos são dotados de uma vontade irresistível de aprender. Isto é, a felicidade do aprendizado - que o velho estagirita chamava de  eudaimonia - estava no fim e não no meio do processo. No meio, estava o hábito, estava a busca persistente e equilibrada  - sem excessos, nem faltas - desse algo que é a expansão plena da nossa capacidade de pensar o mundo (e a gente mesmo), por meio da observação, da análise, da sistematização, da conceituação - e daí, de volta ao mundo, para decifrar a sua complexidade. Esse é o método que, somado à exigência da experimentação, introduzida mais tarde por Galileu, compôs o receituário básico da Ciência, sem a qual estaríamos sabe-se lá aonde. 

Nesse ponto reside o problema: as escolas são os locais de formação de pessoas que assumirão os postos dos que se vão e que darão continuidade a esse esforço milenar de transformação/conservação do mundo. E, para isso, precisam aprender como a coisa funciona. E isso exige um estudo que não é, por essência, nem lúdico, nem divertido.

Além disso, a escola é o simulacro do mundo público, aquele espaço no qual não estamos ligados por laços familiares. As regras para o mundo público são distintas das regras de funcionamento da família. Uma criança precisa aprender, desde cedo, que não é o centro exclusivo da atenção dos adultos e que sua vontade é uma entre tantas e que ela deve disputar, usando as ferramentas disponíveis e autorizadas, para que possa ter chance de usufruir o que deseja. Esse agon - palavra grega para disputa sem violência -  é a base da Política, outra invenção que teve em Aristóteles um mestre e que implica em saber conviver em um espaço de iguais, agindo para se destacar e para influenciar a coletividade. Pensa que isso é uma brincadeira? Não, não é.

Pensar e agir são atividades distintas que exigem comportamentos distintos. Pensar não se dá no campo da ação. E a Ação é mais eficaz e proveitosa se partir de alguém que dedicou bastante tempo para cultivar o espírito por meio do pensamento. Ainda hoje, quando pensamos, paramos. Ainda hoje, quando agimos sem pensar, arrependemo-nos. Essa é a lógica do aprendizado e do exercício cívico. Em ambos, a ideia de diversão, de “achar legal”, de gostar, não é relevante. Mas hoje, a escola vem sendo reduzida a isso. O que podemos esperar como consequência?

Essa breve análise não visa afirmar uma escola triste, mas uma escola com propósitos maiores que o de satisfazer o interesse imediato dos alunos. Não podemos cair na discussão binária entre escola triste e escola alegre. Devemos, isso, sim, reafirmar nossa posição de adultos que sabem o que devem fazer para colaborar para a formação de uma geração mais produtiva para o mundo e não ensimesmada em suas vontade e prazeres imediatos. Até porque os jovens não vão achar ruim. Há um certo desespero nas brincadeiras da escola. Há um certo apelo surdo por apoio e escuta. Basta que nós, adultos, sejamos capazes de perceber enquanto ainda há tempo. E fazer o que nos cabe fazer.

* Daniel Medeiros é doutor em Educação Histórica e professor no Curso e Colégio Positivo.

Para mais informações sobre sala de aula clique aqui...

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Fonte: Central Press



O setor educacional sob ataque

Proteger dados é proteger o futuro da educação.

Autor: Denis Furtado

O setor educacional sob ataque

Tendências que vão transformar a educação online até 2030

A digitalização acelerada e a globalização da força de trabalho estão forçando um novo salto evolutivo na educação online.

Autor: Luiz Carlos Borges da Silveira Filho

Tendências que vão transformar a educação online até 2030

Segurança e mensalidades lideram escolha de escolas no Brasil

Especialistas destacam que a decisão vai além da conveniência e da questão financeira, exigindo um olhar atento à proposta educativa e aos valores da instituição.

Autor: Divulgação

Segurança e mensalidades lideram escolha de escolas no Brasil

IA na educação: dicas de prompts para estudo

Inteligência artificial se torna aliada do estudo no Paraná. Especialista orienta uso ético e compartilha comandos para alunos.

Autor: Divulgação

IA na educação: dicas de prompts para estudo

Gestão financeira em instituições de ensino

Para que uma instituição de ensino se mantenha sustentável, é indispensável uma gestão financeira eficiente.

Autor: Leonardo Chucrute

Gestão financeira em instituições de ensino

Aprendizado contínuo: o que motiva profissionais a nunca pararem de evoluir

Porque a capacitação permanente deixou de ser opcional e se tornou pilar estratégico para quem deseja se manter competitivo no mercado.

Autor: Eliane Oliveira

Aprendizado contínuo: o que motiva profissionais a nunca pararem de evoluir

O mestre e o samurai: lições do Japão para a sala de aula brasileira

No Japão, quando um professor entra na sala, os alunos se levantam. O gesto é simples, mas carregado de simbolismo.

Autor: Paulo Rocha


Brasileiros buscam programação com 3,9 milhões de pesquisas

O interesse em programação cresce no Brasil. Cursos e linguagens geraram quase 3,9 milhões de buscas online no último ano.

Autor: Divulgação


Univali inaugura centro de aprendizagem Google

Espaço de 150 m² na Univali em Itajaí nasce de parceria com Google for Education e Instituto Manager para fomentar a inovação digital e metodologias ativas.

Autor: Divulgação

Univali inaugura centro de aprendizagem Google

Para que serve uma escola?

Há uma diferença clara entre ordem e violência. Aliás, o uso da violência é fruto da impossibilidade da ordem.

Autor: Daniel Medeiros

Para que serve uma escola?

Histórico escolar passa a ser emitido on-line em todas as escolas da rede estadual

Nova funcionalidade permite a emissão de documento escolar com rapidez, padronização e segurança.

Autor: Divulgação

Histórico escolar passa a ser emitido on-line em todas as escolas da rede estadual

Sobre o dia do professor

Depois de 35 anos, voltei a assistir Sociedade dos Poetas Mortos.

Autor: Daniel Medeiros