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Unicórnios ou Camelos?

Unicórnios ou Camelos?

15/07/2020 Alcebíades Araújo

Porque a cultura da inovação precisa mudar no novo mundo.

Um mundo encantado, repleto de ideias inovadoras surgindo a todo momento.

Até bem pouco tempo esse era o ideal de startups de rápido crescimento, com estrutura agressiva e muita inovação, capazes de superar a casa de US$ 1 bilhão em valor de mercado – o suficiente para ser, portanto, um Unicórnio.

Mas esse tem sido realmente um modelo sustentável?

Unicórnios são espécimes fantásticos, fortes e incríveis, raros de se encontrar. Mas, parece que a figura mágica do cavalo com chifre se tornou mais frequente do que se poderia imaginar.

Atualmente, aproximadamente 350 empresas fazem parte dessa “categoria” em todo o planeta, sendo que muitas delas vêm registrando seguidamente desempenhos muito mais voláteis do que marcas com valor de bilhões de dólares deveriam apresentar.

Isso nos leva ao segundo ponto: empresas do mais alto valor de mercado agora estão demonstrando uma série de inconsistências em seus modelos de negócios, deixando em dúvida a sustentabilidade de suas operações no longo prazo.

Não é raro encontrar exemplos de startups, a maioria delas do Vale do Silício (Estados Unidos) e da China, atraindo aportes milionários em rodadas bancadas por grandes fundos internacionais.

À medida que a crise pós-pandemia deixar suas cicatrizes, é improvável pensar na manutenção desse cenário de alto risco e volume de investimentos.

Qual seria a solução, então, para o ecossistema de startups e inovação?

Segundo Alex Lazarow, um dos nomes mais experientes do mercado investidor do Vale do Silício, o momento é de mudança de foco. Ao invés de procurar por novos Unicórnios é preciso valorizar os Camelos.

A explicação de Lazarow é simples. Camelos são animais altamente adaptáveis, resistindo mesmo em ambientes desfavoráveis, com postura extremamente resiliente e capacidade de sobreviver sem água e comida por longos períodos. São animais fortes e preparados para a crise, mas também bastante equilibrados e longevos.

A proposta do investidor norte-americano pode ser resumida, em outras palavras, em valorizar a capacidade que micros, pequenos e médios empreendedores têm de criar empresas, muitas vezes do zero, e mantê-las vivas, inclusive em situações inóspitas de investimento, consumo e inovação.

Pense, por exemplo, nas empresas brasileiras que contam com serviços inovadores e realmente importantes para a população e que precisam conviver diariamente com condições inadequadas e dúvidas sobre quando e como terão receitas.

Elas precisam fazer mais coisas com menos recursos e, por isso, são obrigadas a aprender a direcionar seus esforços e ser incansáveis em procurar novos horizontes.

Essas empresas têm muito potencial para crescer e podem certamente representar mais valor à sociedade do que a cultura fugaz dos unicórnios, já que parecem oferecer mais solidez e estabilidade para ecossistemas de investimento, consumo e geração de riquezas.

Elas são camelos por essência. No entanto, de que mais elas precisam para crescer de forma sustentável e com mais facilidade?

Ter um propósito claro, um  design ágil e a tecnologia certa, possivelmente são respostas adequadas para esta pergunta.

É preciso levar a transformação digital, com recursos e ferramentas que potencializam a produtividade das empresas.

Do mesmo modo, é necessário uma liderança com visão clara, que reconheça a incerteza dos tempos como parte integrante do cenário e que consiga comunicar isso claramente aos seus liderados.

Somente assim poderão otimizar seus esforços, aprimorar talentos e melhorar a entregas aos clientes, mesmo em tempos como estes.

Portanto, mais importante do que ter propostas fantásticas e incríveis é construir um ambiente com alta capacidade de sobrevivência, com gestão inteligente do risco, eficiência de fluxo e parceiros confiáveis, deixando assim o caminho livre e seguro para inovar.

As empresas brasileiras têm muito a ganhar com essa mudança de paradigma e a consolidação dessa cultura organizacional pautada na continuidade do negócio.

Planejar, crescer e se sustentar devem ser pilares das organizações nesses novos tempos.

Resta saber quem saberá dar os passos certos em busca de tecnologia e conhecimento para avançar com a longevidade dos camelos e liderar essa jornada rumo ao futuro.

* Alcebíades Araújo é Head de Cultura do Grupo Squadra.

Fonte: PLANIN



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