Grupo WhatsApp

Diagnóstico correto, receita errada

Diagnóstico correto, receita errada

23/10/2020 José Pio Martins

Aumento de desigualdade não é igual a aumento de pobreza.

Diagnóstico correto, receita errada

O livro O Capital no Século XXI, de autoria do economista francês Thomas Piketty, está entre os livros mais badalados e mais vendidos dos últimos anos. A obra causou furor no mundo inteiro, suscitou discussões intensas e, segundo dizem por aí, tornou-se um dos livros mais vendidos no planeta e um dos menos lidos. É um pouco o que aconteceu com O Capital, de Karl Marx, obra-prima dos socialistas. É um dos livros mais possuídos e um dos menos lidos da história humana.

Mas por que razão o livro de Piketty fez e continua fazendo tanto sucesso? A razão é facilmente identificável. Ele produziu um calhamaço de 669 páginas (na versão em português) em letra miúda para mostrar, numa linguagem recheada de pesquisas e estudos de bom nível, uma questão simples: se a taxa de retorno líquido do capital for superior à taxa de crescimento da economia, haverá aumento da relação entre capital e renda nacional.

Explicando: se o rendimento líquido do capital for, por exemplo, 5% ao ano e o crescimento da renda nacional for 2%, haverá concentração da riqueza (renda nacional é igual ao produto nacional, e os termos riqueza e capital são equivalentes). Deixando tecnicalidades de lado, Piketty quis provar que a tendência é o aumento da desigualdade entre a renda do trabalho e a renda do capital.

Aumento de desigualdade não é igual a aumento de pobreza. Se a renda de um país cresce de forma que até o mais pobre dos habitantes eleve seu padrão de vida, o aumento da desigualdade não aumenta a pobreza. Mas, afora essa questão, Piketty argumenta que no futuro os ativos do mundo (expressão equivalente a patrimônio e riqueza) poderão ampliar a desigualdade entre os que possuem e os que não possuem nada.

O diagnóstico tem sentido. O equívoco está na solução proposta por Piketty. Ele propõe duas medidas. A primeira medida seria a criação de uma alíquota de 80% de imposto de renda para rendimentos acima de determinada faixa. A segunda seria uma espécie de CPMF (um imposto sobre patrimônio) sobre a posse de ativos em todo o mundo. A proposta é tão ingênua quanto ineficiente.

O erro está numa questão fundamental: estranhamente, Piketty acredita que a montanha de dinheiro carreada para os cofres públicos com sua proposta iria para os pobres do mundo. Ora, o Estado racional, eficiente e bondoso só existe nos livros. Na vida real, quando há elevação de tributo, o Estado paga primeiramente a si mesmo, aumentando gastos com os funcionários que o tripulam e com os políticos que o manipulam. Somente uma fatia menor vai para os pobres, longe de reduzir as desigualdades na proporção do que é arrecadado.

Uma segunda parte do dinheiro sumirá nos escaninhos da corrupção. Uma terceira parte irá pagar o inchaço da máquina estatal com os salários acima do setor privado, as aposentadorias e pensões generosas que os pagadores de impostos nunca terão. Uma quarta parte será desperdiçada na ineficiência gerencial dos serviços públicos. Quem mostra que o governo é concentrador de renda é o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo federal, portanto insuspeito.

Não se trata de um problema de pessoas. O problema é o sistema. O Estado não é racional, não é eficiente, não é bondoso e não é isento. Se o problema do mundo é a concentração da riqueza, melhor seria democratizar a propriedade por meio de um sistema de distribuição de quotas de capital diretamente aos trabalhadores, sem passar pelo orçamento do governo. Esse é o debate que eu gostaria de fazer.

* José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

Fonte: Central Press



Regularização de bens no Brasil e exterior fica mais simples

Foi publicada em 21 de novembro de 2025 a Lei nº 15.265/2025, que institui o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (REARP).

Autor: Divulgação


Mudanças nas regras da Previdência elevam exigências para aposentadoria em 2026

Desde a Reforma da Previdência de 2019, o acesso à aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passou a sofrer ajustes anuais.

Autor: João Badari


Parcelar ou pagar à vista o IPTU e IPVA?

Planejamento financeiro para IPVA: pague à vista com desconto se tiver reserva. Se não, parcele, mas fuja de empréstimos e crédito!

Autor: Reinaldo Domingos


Maior período de compras: conheça seus direitos e evite golpes

O fenômeno da alta temporada de compras no Brasil é uma equação de dois lados: oportunidades únicas de consumo e um pico alarmante em fraudes e abusos.

Autor: Mateus Fogaça

Maior período de compras: conheça seus direitos e evite golpes

Direito de arrependimento nas compras online: hora de repensar o prazo de 7 dias

Comprar pela internet virou parte da nossa rotina. Do celular à geladeira, de roupas a passagens aéreas, tudo é adquirido com um clique.

Autor: Andrea Motolla

Direito de arrependimento nas compras online: hora de repensar o prazo de 7 dias

Black Friday: especialista alerta para riscos de endividamento e golpes

Especialista em finanças alerta que Black Friday de R$ bilhões aumenta risco de endividamento e golpes, expondo a falta de planejamento do consumidor.

Autor: Divulgação


Black Friday: fraude com NF-e expõe dados e gera boletos falsos

Criminosos usam chave de acesso da DANFE, exposta em embalagens de produtos, para replicar documentos fiscais e aplicar golpes de boletos.

Autor: Divulgação

Black Friday: fraude com NF-e expõe dados e gera boletos falsos

Fraude em boleto usa chave da NF-e e logística

Criminosos exploram a chave de acesso da DANFE, exposta em embalagens, para criar boletos falsos convincentes, alertam especialistas.

Autor: Divulgação

Fraude em boleto usa chave da NF-e e logística

Black Friday exige cautela contra o endividamento

Especialista alerta que o risco das promoções está no impulso e ensina a planejar os gastos para aproveitar a Black Friday sem comprometer o orçamento.

Autor: Divulgação


Reforma tributária eleva imposto de imagem e altera tributação de clubes

Nova tributação pode elevar imposto de direitos de imagem de atletas de 3,65% para mais de 35% com a adoção do IVA. Clubes-associação perdem isenção.

Autor: Divulgação

Reforma tributária eleva imposto de imagem e altera tributação de clubes

Impacto tributário do STF pode custar bilhões ao “streaming”

Netflix já anuncia ajuste contábil de US$ 619 milhões e ações caem.

Autor: Divulgação

Impacto tributário do STF pode custar bilhões ao “streaming”

Segurança em condomínios: 6 passos para blindar seu prédio contra invasões

Nos últimos anos, o número de invasões a condomínios vem se multiplicando, principalmente na cidade de São Paulo.

Autor: Divulgação