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Meta e o crime organizado digital no Brasil: tecnologia cúmplice das fraudes financeiras

Meta e o crime organizado digital no Brasil: tecnologia cúmplice das fraudes financeiras

30/07/2025 Jorge Calazans

O Brasil enfrenta hoje uma das maiores ondas de fraudes financeiras digitais de sua história.

Meta e o crime organizado digital no Brasil: tecnologia cúmplice das fraudes financeiras

Milhares de pessoas têm sido enganadas por falsas corretoras de investimento que prometem lucros rápidos, plataformas sofisticadas e uma suposta segurança institucional. Por trás desses golpes, existe um elo perturbador: o uso massivo das ferramentas da Meta Platforms Inc. — controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp — como meio estruturante dessas fraudes.

Não estamos diante de incidentes pontuais, mas de um verdadeiro modelo industrial de crime digital. Organizações criminosas transnacionais operam em escala, utilizando inteligência artificial, vídeos com deepfakes de personalidades conhecidas e algoritmos de publicidade hipersegmentada para atingir os mais vulneráveis: aposentados, trabalhadores endividados e pequenos investidores em busca de renda extra.

Esses grupos atuam como instituições financeiras clandestinas, captando recursos do público, prometendo rentabilidades irreais e intermediando operações ilegais, sem qualquer autorização dos órgãos reguladores. A viabilidade desse modelo está diretamente ligada à omissão da principal plataforma de distribuição: a Meta.

A empresa não apenas permite a disseminação desses conteúdos, como lucra com eles. A cada clique patrocinado, a cada campanha financiada com dinheiro oriundo das próprias vítimas, a Meta arrecada. Mesmo após diversas denúncias, reportagens investigativas e alertas técnicos, os anúncios fraudulentos continuam sendo veiculados.

Essa permanência sistemática dos anúncios reflete um fenômeno conhecido como "cegueira deliberada": a escolha consciente de não agir, mesmo dispondo de meios técnicos e informações suficientes para barrar crimes em andamento. A Meta detém recursos sofisticados de inteligência artificial, ferramentas de moderação automatizada e análises comportamentais altamente precisas. No entanto, opta por priorizar a venda de anúncios, ainda que isso custe a segurança dos usuários brasileiros.

Essa omissão não é passiva — é cúmplice. A empresa pode ser responsabilizada criminalmente por sua participação indireta na operação de instituições financeiras clandestinas, crime previsto na legislação penal brasileira. Ao fornecer o meio, lucrar com a operação e ignorar deliberadamente sua natureza ilegal, a Meta contribui para o êxito da fraude. Trata-se de um típico caso de dolo eventual: a empresa tinha plena consciência do risco de estar facilitando crimes e, mesmo assim, aceitou esse risco em nome do lucro.

Isso não é um ataque à liberdade de expressão. É uma chamada à responsabilidade de quem, ao oferecer uma estrutura tecnológica poderosa, decide fechar os olhos para o sofrimento alheio — desde que o caixa continue cheio. A Meta, como uma das empresas mais influentes do planeta, precisa entender que operar no Brasil significa também submeter-se às leis brasileiras, inclusive às penais.

O combate às fraudes digitais exige mais do que regulação: exige coragem. Coragem para enfrentar não apenas os golpistas que atuam nas sombras, mas também os gigantes tecnológicos que, à luz do dia, fornecem palco, plateia e bilheteria para que esses crimes prosperem.

* Jorge Calazans é advogado especializado na defesa de investidores vítimas de fraudes, sócio do escritório Calazans e Vieira Dias Advogados.

Foto: Divulgação/Freepik

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