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A China, fiel da balança na guerra

A China, fiel da balança na guerra

15/03/2022 Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Enquanto as emissoras de televisão de todo o mundo transmitem a guerra “direto” e “ao vivo”, dando ao grande público imagens fortes de conflito Rússia-Ucrânia, as atenções se voltam para a China.

Aquele país – que hoje detém a maior economia do mundo, suporta muitos problemas políticos e estruturais e avança em todas as direções – deve ser o único mediador em condições de conseguir o cessar-fogo.

Sua formal neutralidade, já que não apoiou as sanções que o mundo ocidental impõe à Rússia, reúne condições para dialogar com o presidente russo Vladimir Putin, com o ucraniano Volodymyr Zelenski e com as diferentes forças mundiais, das quais é parceira econômica.

E tem de agir rápido, porque a guerra fez explodir o preço do petróleo e a inflação em todo o mundo a níveis que a economia globalizada não suportará.

Se continuar teremos um desastre econômico muito maior que o de 1929, quando a Bolsa de Nova York quebrou e muitos passaram fome ao redor do mundo.

Especialistas lembram que – diferente dos radicais tempos de Mao-Tsé Tung e de sua geração, a China de hoje, não é mais aquela ditadura inflexível como também foi a soviética.

Apesar de mantido o regime de partido único, o país mostra externamente o seu viés econômico como potência industrial em franca expansão, condições de oferecer ao mercado produtos cada vez melhores e a cruel necessidade de produzir e importar alimentos para suprir a sua população de 1,4 bilhão de habitantes, a maior entre os países do planeta.

Dentro de suas relações econômicas, a China é parceira de praticamente todo o mundo, especialmente União Europeia, com quem o volume anual de transações é de US$ 828 bilhões e Estados Unidos, com US$ 657 bilhões.

A Rússia é um parceiro menor, com US$ 147 bilhões, boa parte disso em energia e alimentos fornecidos aos chineses. A grande tarefa da diplomacia de Pequim nesse mo mento é buscar uma saída honrosa para Putin e Zelenski e a garantia de integridade do território ucraniano.

Os russos já viram que a tomada da Ucrânia não é tão fácil quanto se imaginava; agora é necessária a ação de bombeiros para apagar o fogo, sendo os chineses os mais indicados.

Nada impedirá, no entanto, que outros governos como, por exemplo o brasileiro, parceiro de ambos os conflitantes, também venham a contribuir.

A China caminha a passos largos em todas as direções. Fornece seus manufaturados para todo o mundo e recebe matérias-primas e alimentos.

Também investe em negócios que no futuro possa lhe garantir além de rendimento e ocupação para cidadãos chineses, mercadorias que aquele país necessita para alimentar a população.

O formato diferente de governo e principalmente sua história do ultimo sécul o tornam o país questionável no ocidente. Mas sua presença econômica é uma realidade que ninguém pode ignorar, inclusive o Brasil.

Erram os que procuram analisar ideologicamente a China. O país tem muitos problemas a resolver e estes são potencializados pelo tamanho da população.

O que cada país parceiro precisa é estabelecer regras claras para o seu relacionamento internacional e fugir da anacrônica discussão ideológica e dos fantoches de direita e esquerda, ditadura ou democracia.

Temos de ser pragmáticos em nossas parcerias, estabelecendo relacionamento naquilo que for de interesse mútuo e afastando as diferenças.

A rigor, não devemos dar palpite nas atividades internas da China e jamais admitir que os chineses o façam aqui. A isso se dá o nome de soberania.

Quanto à guerra Rússia-Ucrânia, esperamos que por ação da China ou de outro agente mediador que se mostre apto, o cessar-fogo ocorra o mais breve, parem de morrer inocentes, a paz volte a reinar na região, os refugiados possam voltar e os danos do conflito sejam reparados.

E que os governantes dos países envolvidos mais Estados Unidos, Europa e outros interessados nem imaginem reeditar algo parecido com a guerra fria que tanto mal causou a o mundo no pós-guerra, de 1947 a dissolução da União Soviética, em 1991.

O mundo tem pressa. Que a paz seja restabelecida antes que as dificuldades da guerra se espalhem e multipliquem a miséria e o sofrimento, principalmente entre as populações mais pobres…

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

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