Grupo WhatsApp

A guerra comercial de Trump

A guerra comercial de Trump

12/08/2025 Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Não é a Terceira Guerra Mundial, que os fantasiosos agitadores prevêem e cuja possibilidade de eclosão atribuiu-se a Donald Trump, logo após a sua eleição para o segundo mandato.

Mas, o tarifaço por ele decretado sobre 180 países com quem os Estados Unidos mantêm relações comerciais, é um choque de dimensões planetárias.

Só nos últimos dias, aquele país decretou o reajuste de impostos de importação a 60 parceiros, entre eles o Brasil.

Para nós, estabeleceu-se uma situação melhor do que a prevista no comunicado de 9 de julho (que fixava percentual de 50% de cabo-a-rabo) e em vez da taxação entrar em vigor a 1º de agosto, seu vigor foi transferido para o dia 6.

Foram excluídos dos 50% o suco de laranja, que o Brasil é o maior fornecedor aos EUA, a celulose, os aviões montados pela Embraer -  cujas peças principais são produzidas nos próprios EUA – e outros produtos de menor visibilidade na pauta.

Mas café e carnes continuam com a tarifa alta. A impressão é que o governo tomou essas medidas em atendimento aos interesses e reclamos dos importadores daquele país, que pagariam preços mais altos pelas mercadorias se mantida a configuração inicial.

O quadro leva à crença de que novas alterações poderão ocorrer, inclusive as que forem requeridas em negociação pelo Brasil e demais fornecedores.

A nova situação coincide com a ida aos EUA do chanceler Mauro Vieira, que conversou com burocratas ligados à estrutura de comércio e da comitiva de senadores da Comissão de Relações Exteriores.

Ainda está faltando, na nossa modesta opinião, o contato direto entre Lula e Trump. Esperamos que o encontro não tarde e dele possa sair algo positivo aos países e principalmente aos seus exportadores e importadores que, se nada for feito, serão os grandes prejudicados juntamente com o consumidor.

É Importante a mobilização dos governadores que desoneram as empresas e produtores prejudicados pelo tarifaço, como forma de ajudá-los a passar pela tormenta.

Uns Estados diminuem impostos e outros falam até em adquirir mercadorias que deixarem de ser exportadas. Devemos compreender, porém, que esta é uma solução temporária para enfrentar a emergência. A solução só virá da negociação entre os países.

Penso que a abrupta elevação das tarifas é imperativo da economia estadunidense. Trump aproveita o momento para fazer as correções que entende necessárias.

E que outras motivações são secundárias mas acabaram incluídas no quadro de desconforto gerado pelo aumento de impostos.

A questão do Supremo Tribunal Federal, a queixa sobre as perseguições a Jair Bolsonaro, a censura às redes sociais e empresas norte-americanas e o alinhamento do presidente Lula às ditaduras, embora citados entre as queixas, não devem ser o mais importante.

O presidente Lula, em vez de confrontar e ameaçar retaliação aos EUA, deveria negociar pois o simples tamanho da economia brasileira perante a dos EUA não aconselha qualquer confronto.

Respondemos com pouco mais de 1% das importações americanas, o que pode ser significativo para nós, mas irrelevante na escala global.

Concordamos com as observações de que é ruim a interferência de outro país nas atitudes do nosso governo. Mas, assim como o governo daqui tem liberdade para tomar o seu caminho, precisa estar consciente de que pode encontrar dificuldades decorrentes das posições assumidas internacionalmente.

Fosse figura influente no governo brasileiro, eu buscaria solução para a questão do óleo diesel adquirido da Rússia, já denunciado pelos EUA como fornecedor dos recursos para a manutenção da guerra com a Ucrânia.

Para concluir. Cantado aos quatro cantos do mundo como um país democrático, o Brasil tem de cuidar de suas relações externas e, principalmente, não entregar-se ao clube das ditaduras.

Se assim o fizer, será alvo permanente do chamado mundo democrático e os prejuízos serão inevitáveis. Ainda é tempo para se cuidar…

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da ASPOMIL (Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo).

Para mais informações sobre tarifaço clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Todos os nossos textos são publicados também no Facebook e no X (antigo Twitter)

Quem somos



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca