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Antropofagia e marcas: a arte de devorar cultura para criar identidade

Antropofagia e marcas: a arte de devorar cultura para criar identidade

01/12/2025 Flavio Cantoni

Durante a Semana de Arte Moderna, em 1922, um grupo de artistas e intelectuais ousou desafiar o espelho europeu e propor uma nova forma de olhar para o Brasil.

Entre eles, o poeta e escritor Oswald de Andrade foi quem formulou o conceito da Antropofagia, não como um ato de destruição, mas como um gesto simbólico de digestão criativa.

A ideia era simples e revolucionária, ou seja, devorar o que vem de fora, misturar com o que é nosso e devolver algo novo, genuinamente brasileiro. Esse movimento se transformou na espinha dorsal da identidade cultural do País e, um século depois, ressurge como metáfora poderosa para o branding contemporâneo.

Assim como os modernistas, as marcas que sobrevivem ao tempo são aquelas que não temem absorver o mundo. São marcas antropofágicas com o instinto de devorar para evoluir.

Elas, por exemplo, devoram comportamentos, linguagens, gestos e transformações sociais e, a partir disso, criam cultura. São na realidade marcas vivas, que não copiam tendências, mas as digerem. Não seguem modas, mas as reinterpretam.

A antropofagia no branding é, portanto, o ato de devorar o comportamento humano para tornar-se mais humana. É também entender que o público não deseja apenas consumir produtos, quer se ver refletido neles. Nesse ponto é que a marca deixa de ser uma estrutura visual para se tornar uma narrativa de pertencimento.

Foi a partir dessa compreensão que nasceu o Código de Identidade, metodologia criada por nós, com mais de 98% de acerto na entrega de projetos. Inspirado na Antropofagia, o Código propõe mergulhar na origem emocional e cultural das marcas, entendendo o que move seus líderes, o que pulsa no seu público e o que a marca simboliza na vida das pessoas.

O processo não busca apenas criar uma logomarca ou um slogan. Ele revela a alma simbólica da empresa, traduzindo-a em storytelling, estética, propósito e comportamento. Desta maneira, as marcas deixam de ser ferramentas de venda e passam a ser instrumentos de conexão e inspiração.

Da Semana de 22 à sala de reunião, da ousadia modernista à estratégia de branding, o espírito é o mesmo, devorar para reinventar. Assim como os modernistas Oswald, Tarsila e Mário de Andrade transformaram influências estrangeiras em arte brasileira, as marcas de hoje precisam transformar insights, dados e tendências em identidade própria.

Mais do que isso, precisam inspirar seus colaboradores, clientes e parceiros a fazerem parte de uma cultura viva, aquela que respira, muda e deixa legado. Por isso, existem marcas que inspiram por toda a vida.

A verdadeira beleza delas não está em sua logomarca ou campanha, mas em sua capacidade de se tornar memória afetiva. São brands que participam da história das pessoas, que evoluem com elas, que as fazem sentir orgulho de pertencer.

As marcas antropofágicas são assim, devoram o mundo, mas devolvem humanidade. Na sua essência, a antropofagia é um gesto de amor pelo que o outro traz, pelo que o mundo oferece. É a arte de transformar influência em essência.

É exatamente isso que faz o Código de Identidade ser um processo tão potente, porque ele permite que cada marca descubra sua própria beleza funcional, nascida da mistura entre o que é seu e o que é do mundo. As marcas mais humanas não têm medo de devorar, elas têm coragem de se reinventar.

* Flavio Cantoni é CEO da Inspira Design, especialista em branding estratégico, e posicionamento de marcas para empresas em expansão.

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