Grupo WhatsApp

Anvisa, Justiça e o cerco regulatório contra procedimentos estéticos

Anvisa, Justiça e o cerco regulatório contra procedimentos estéticos

11/03/2025 Claudia de Lucca Mano

A intensificação das ações regulatórias sobre as clínicas de estética no Brasil tem gerado preocupação entre os profissionais da área.

A recente republicação da Nota Técnica 02/2025 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforça exigências para serviços de estética e embelezamento, aumentando as restrições e fiscalizações sobre esses estabelecimentos.

Em complemento, a Agência lançou o programa de inspeções "Estética com Segurança", uma operação para fiscalizar clínicas de estética em todo o país.

Paralelamente, observa-se um movimento de proibição de diversos tratamentos, como o peeling de fenol, além de um cerco jurídico promovido pela classe médica contra outras categorias da saúde que atuam no setor.

A Anvisa, enquanto órgão regulador, tem o dever de zelar pela segurança dos usuários desses serviços. No entanto, a intensificação de medidas restritivas levanta questionamentos sobre a real motivação por trás dessas normativas.

Há um claro movimento para associar eventos adversos isolados à necessidade de restrições generalizadas, o que pode ser interpretado como uma tentativa de enfraquecer a atuação de outras profissões de saúde nesse segmento.

O caso da proibição do peeling de fenol é emblemático. Utilizado há décadas na dermatologia, o procedimento foi vedado para farmácias de manipulação sob a justificativa de riscos à segurança.

No entanto, a decodificação dessas proibições parece apontar para um padrão: a restrição de alternativas terapêuticas fora da medicina tradicional.

O cerco regulatório se torna ainda mais evidente quando analisamos as ações judiciais movidas por entidades médicas contra biomédicos e farmacêuticos.

Diversos processos visam suspender normativas de conselhos profissionais que garantiam a atuação dessas categorias na área de estética.

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a suspensão da Resolução 573/2023 do Conselho Federal de Farmácia (CFF), que autorizava farmacêuticos a realizarem procedimentos estéticos.

Da mesma forma, a Resolução 241/2023 do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM), que permitia a execução de procedimentos invasivos por biomédicos, também foi suspensa pela Justiça, em resposta a pedidos feitos pelo Conselho de Medicina.

Apesar dessas decisões, há manifestações jurídicas que garantem o direito de atuação dos biomédicos estetas, evidenciando que o embate entre as classes profissionais está longe de ter um desfecho definitivo, prejudicando a segurança jurídica dos que atuam na área.

O grande problema dessa abordagem é que não se discute a melhoria da qualidade e segurança dos procedimentos, mas sim a exclusão de procedimentos e de profissionais capacitados do mercado.

Ao transformar cada evento adverso em uma justificativa para novas proibições, cria-se um ambiente regulatório hostil e pouco transparente, em que a legislação é utilizada como ferramenta de reserva de mercado.

A regulação da saúde deve ter como foco a segurança do paciente, mas também a preservação da livre concorrência e do direito dos profissionais de exercerem suas atividades, sempre respeitando as regulamentações de Conselhos Profissionais.

Medidas restritivas que ignoram a qualificação de diferentes categorias são, na realidade, uma forma velada de perseguição profissional.

É necessário um debate mais amplo, com critérios técnicos e imparciais, que garanta a segurança dos procedimentos estéticos sem promover uma segmentação artificial do mercado.

* Claudia de Lucca Mano é advogada e consultora empresarial atuando desde 1999 na área de vigilância sanitária e assuntos.

Para mais informações sobre procedimentos estéticos clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Todos os nossos textos são publicados também no Facebook e no X (antigo Twitter)

Quem somos

Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca