Grupo WhatsApp

Caso Americanas: qual é a responsabilidade do contador?

Caso Americanas: qual é a responsabilidade do contador?

19/01/2023 Taís Brain Baruchi e Lucas Leme

Empreender no Brasil significa saber lidar com um cenário tributário e fiscal altamente complexo a fim de garantir a conformidade e prosperidade do negócio – entretanto, essa é uma teoria que nem sempre consegue ser colocada em prática.

O mais recente caso da Americanas, cujas inconsistências em lançamentos contábeis ultrapassam os R$ 20 bilhões, é uma prova disso.

Apesar de muito ainda precisar ser entendido sobre as causas dessas declarações, algo é certo: um controle devido, aliado a uma maior transparência nas transações contábeis, certamente poderia ter evitado este prejuízo.

Responsável por analisar a saúde financeira do negócio, é papel da gestão contábil auxiliar os gestores na administração da empresa, por meio do monitoramento constante do histórico econômico do negócio e sua adequada interpretação, visando o crescimento e perpetuidade do negócio no longo prazo.

Essa gestão pode acontecer de forma interna ou externa, por meio de uma empresa de BPO (Business Process Outsourcing), que é a terceirização dos serviços contábeis, fiscais e até de folha de pagamento.

A Lei 10.406/2002 é clara ao determinar que toda sociedade empresária é obrigada a seguir um sistema contábil sob responsabilidade de um profissional legalmente habilitado, com registro no CRC (Conselho Regional de Contabilidade).

Este contador poderá ser responsabilizado em questões cíveis, penais e tributárias em qualquer ocorrência que possa surgir, devendo prestar contas periodicamente aos órgãos reguladores.

A grande vantagem da terceirização da contabilidade é o fato de a empresa contar com uma equipe multidisciplinar de especialistas, minimizar riscos e agregar valor ao negócio por meio de pessoas altamente capacitadas, processos bem estabelecidos e tecnologias integradas.

Além de reduzir custos, esse tipo de operação maximiza o desempenho organizacional, visto que a empresa não precisa se preocupar com as constantes mudanças de legislação, escassez de mão de obra, gerenciamento de equipes, absenteísmo, e tantas outras questões envolvidas em uma operação internalizada. Assim, a companhia pode se concentrar única e exclusivamente no sucesso das suas operações.

Ao monitorar o estado financeiro da empresa em tempo real, é possível ter uma orientação mais assertiva acerca das normas a serem aplicadas, junto com uma maior autonomia e transparência em auditorias independentes periódicas para assegurar a apresentação fidedigna da situação financeira e patrimonial da empresa.

A segurança na adequação legal do negócio se torna completa, contribuindo até mesmo para sua expansão em termos de parcerias e conquista de novos mercados.

Em caso de fraudes, por exemplo, o contador pode responder civil e até criminalmente, tendo seus bens bloqueados e até sendo preso.

Além de todos os cuidados, é fundamental que a contabilidade disponha de um seguro de responsabilidade, que assegura um valor de sinistro para erros e falhas que possam ocasionar em multas ou outros prejuízos financeiros.

Logicamente, na hora de avaliar um prestador de serviço na área, é imprescindível que a empresa avalie se o porte da consultoria contábil atende suas necessidades específicas e é capaz de transmitir toda a segurança necessária para uma operação tranquila, sem surpresas desagradáveis.

Somado a isso, é importante adotar mecanismos de governança corporativa capazes de manter uma conduta ética. A exemplo da Lei Sarbanes-Oxley (SOX), criada em 2002 pelo governo americano com objetivo de proteger os investidores e stakeholders contra fraudes financeiras, que exige uma demonstração clara de governança com foco na gestão financeira.

Além disso, a contratação de auditorias independentes, ajuda não só na prevenção como também na rápida detecção de problemas, permitindo a adoção de medidas urgentes e efetivas para solucionar pendências antes que causem graves consequências.

Em suma, gerir a contabilidade de qualquer negócio de forma transparente, ética e fidedigna, é uma missão árdua e fundamental para a sobrevivência de qualquer empresa, independentemente do porte ou segmento – ainda mais, considerando que cada uma terá suas próprias especificidades e demandas.

Por isso, a escolha correta desses profissionais é determinante, visto que os prejuízos ocasionados por erros ou até má fé impactarão não apenas os responsáveis pela companhia, mas todos os colaboradores, fornecedores, parceiros, governo, entre outros públicos de interesse. Contabilidade, acima de tudo, significa responsabilidade.

* Taís Brain Baruchi é sócia na Ecovis BSP, empresa com mais de 20 anos de experiência na prestação de serviços contábeis, fiscal e folha de pagamento.

* Lucas Leme é supervisor de contabilidade na Ecovis BSP, empresa com mais de 20 anos de experiência na prestação de serviços contábeis, fiscal e folha de pagamento.

Para mais informações sobre gestão contábil clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Fonte: Informa Mídia



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca