Grupo WhatsApp

De Helsinki para Putin: a entrada da Finlândia na OTAN

De Helsinki para Putin: a entrada da Finlândia na OTAN

12/04/2023 João Alfredo Lopes Nyegray

Rompendo uma neutralidade secular, o país escandinavo solicitou adesão à Organização de proteção militar mútua em maio de 2022.

Durante todo o século XX, grandes estudiosos da geopolítica e de estratégias internacionais foram praticamente uníssonos ao falar sobre a Rússia: o país é mais do que uma nação territorialmente extensa, possuidora de abundantes recursos naturais e defesas geográficas inerentes à sua localização no norte global.

A Rússia representaria uma fortaleza terrestre: ao norte, o impiedoso Ártico, ao sul, uma variedade de países com relevos e terrenos que tornam qualquer invasão por ali uma tarefa impossível, e poucos pontos de interesse no extremo oriente à leste.

Todos esses fatores fizeram com que a maior parte dos geopolíticos, de maneira uniforme, considerassem que a grande vulnerabilidade desse país gigante com 11 fusos horários é seu front oeste, onde estão não apenas ex-repúblicas soviéticas mas onde o Kremlin buscou sempre ter influência decisiva.

Essa é sabidamente uma das razões para a invasão à Ucrânia, ocorrida em fevereiro de 2022: um país que durante metade do século XX foi considerado uma imensa ameaça à paz internacional e ao domínio estadunidense e ocidental não poderia assistir calado à entrada da Ucrânia na OTAN.

Rússia e Ucrânia compartilham aproximadamente 2.300 quilômetros de fronteira – unindo aqui a fronteira terrestre e a fronteira marítima –, e esse vizinho tão próximo na Organização do Tratado do Atlântico Norte equivaleria a ter, tão perto de casa, os mais bem armados e mais bem treinados exércitos de 30 nações que Moscou, se não considera hostis, também não considera amigas.

Passados quase 14 meses da invasão russa à Ucrânia, o tiro realmente saiu pela culatra: por mais que, num futuro próximo, certamente os ucranianos não sejam aceitos na OTAN, há agora uma outra preocupação ao norte: a Finlândia.

Rompendo uma neutralidade secular, o país escandinavo solicitou adesão à Organização de proteção militar mútua em maio de 2022, três meses após o início da ação russa contra Kiev.

Com um território que se equivale ao do estado do Goiás, a Finlândia é uma rica república parlamentar e lar de aproximadamente 5,5 milhões de pessoas.

Tendo passado por eleições no último domingo, a então premiê Sanna Marin – do Partido Social Democrata – perdeu o pleito para Petteri Orpo, da Coligação Nacional – partido de direita.

Entre os dois candidatos, havia concordância numa pauta: a importância e a necessidade da entrada da Finlândia na OTAN.

O país, que compartilha aproximadamente 1.300 quilômetros de fronteira terrestre com a Rússia, viu-se ameaçado não apenas após a invasão russa à Ucrânia, mas após ameaças diretas do Kremlin: para os russos, a entrada finlandesa na OTAN equivaleria a uma grave ameaça para Moscou, que prometeu drásticas consequências para Helsinki.

Aceita por todos os membros da Organização, nesta terça-feira, a Finlândia torna-se o seu 31.º membro; e, em breve, será seguida pela Suécia – que também rompe uma neutralidade centenária.

Obviamente que os russos não estão assistindo a essa adesão calados: retaliações já foram prometidas em vários níveis, mas não estão sendo levadas a sério.

O que o mundo está percebendo é que o exército russo não é tão poderoso ou tão bem treinado como se imaginava.

Não apenas as dificuldades militares do Kremlin já mostraram isso, mas vídeos vindos do front mostram não apenas soldados mal treinados, mas equipamentos velhos e absolutamente obsoletos em uso.

Enquanto Kiev, armada com o que há de mais novo e mais moderno, manda para o front tanques alemães Leopard 2 novos, os russos recorrem a equipamentos das décadas de 1950 e 1960, manufaturados em meio à corrida armamentista da Guerra Fria.

Tendo ficado evidentes as dificuldades russas na Ucrânia, é improvável que Moscou consiga enfrentar uma guerra em dois fronts invadindo a Finlândia.

Ainda assim, isso não quer dizer que o confronto na Europa esteja perto do fim: líderes autoritários e egocêntricos como Putin não admitem a derrota, e aumentam a violência.

As armas nucleares táticas posicionadas pelo Kremlin em Belarus nas últimas semanas podem ser usadas não como uma demonstração de força, mas como uma forma de mostrar que os russos têm pouco a perder e que estão dispostos a levar a guerra às últimas consequências.

* João Alfredo Lopes Nyegray é doutor e mestre em Internacionalização e Estratégia.

Para mais informações sobre Finlândia clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Fonte: Central Press



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca