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Hiperconectividade: desafio ou poder da geração Alpha?

Hiperconectividade: desafio ou poder da geração Alpha?

05/06/2024 Jacqueline Vargas

Qual adulto diante de um enigma tecnológico não recorreu ao jovem mais próximo? Afinal, “eles já nasceram com o celular!”.

Depois de 2010, os sucessores da geração Z e dos Millennials nasceram hiperconectados. Reza a lenda que os Alphas serão mais seletivos no consumo das redes sociais, escolhendo melhor o que será exibido em suas telas.

No entanto, as telas seguirão como um espelho mágico - o Big Brother particular. Esta geração tem sobre si um grande olho que comporta muitos olhares.

São vários reflexos e modelos para seguir - então qual escolher? E como isso impactará na individualidade desses jovens?

A contemporaneidade é baseada em excessos. Hoje tudo é demais. A compulsão pelo concretizado, sem considerar o processo necessário, é uma face do imediatismo dessa abundância. A resposta da performance tem que ser rápida, sem reflexão.

Ao mesmo tempo em que os Alphas conseguem “surfar” tranquilamente nas mudanças e novidades tecnológicas, essa quantidade de possibilidades dificulta o foco e a concentração. É um pouco de tudo e muito de nada.

Inclusive a curadoria aprimorada dessa geração serve para quê? Entender melhor o que deve ser copiado? Escolhido passivamente?

Os avatares, filtros e outras ferramentas utilizadas pelas gerações anteriores, podem até ter a cara limpa dos Alphas como substituto, mas a falta de “cara” poderá ser a maior substituição.

Afinal, em uma sociedade que preza o êxito independente dos meios, ser o que se espera é menos arriscado.

O receio do erro, a irritabilidade, a ansiedade e a hipocondria são alguns dos sintomas do hiperconectado. Muitos Alphas foram colocados diante de uma tela ainda bebês.

Alguns viram a natureza somente por um tablet. Outros só se relacionam no digital. Só que um dos fatores fundamentais para a construção do sujeito é sua interação (presencial) com o próximo. Este será o grande desafio da nova geração.

* Jacqueline Vargas é psicanalista com abordagem para a adolescência e pós-graduada em Filosofia, Psicanálise e Cultura.

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Fonte: LC Agência de Comunicação



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