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Mesmice com muitas perguntas

Mesmice com muitas perguntas

19/11/2009 Fábio P. Doyle

IPTU, rio das Velhas, Rodoanel, jornalistas e jornais prepotentes e arrogantes, o banqueiro, o caso do vaso sanitário, a ministra e a secretária, o banqueiro e o delegado, juizes e bandeirinhas, o truculento que chama adversário de "o coisa" e a extradição retardada.

A MESMICE de sempre, em mais uma semana que passa, aproximando-nos de mais um final de mês e de ano. Viva a rotina, que é a ausência de anormalidade, como aprendeu, no sofrimento, uma pessoa amiga.

POR aqui, no Arraial del Rey, aconteceu o que todos sabiam que iria acontecer. A Câmara de Vereadores aprovou, com 28 votos a favor, o projeto da Prefeitura que eleva o valor do IPTU que será cobrado da população a partir de janeiro de 2010. Apenas três bravos e valentes edis votaram contra. Vale o registro de seus nomes: vereadores Fred Costa, Iran Barbosa e Sérgio Fernando. Guardem os três em suas agendas, para receberem os votos que merecem nas próximas eleições.

A PROPÓSITO, recebi de um leitor um pedido: o de sugerir aos que promovem campanha contra a elevação daquele tributo a divulgação, via Internet, dos nomes dos 28 que aprovaram o projeto de aumento, para serem ignorados nas urnas pelos eleitores. Sugestão atendida.

OUTRA local, melhor, de um leitor da Região Metropolitana. Ele sugere que o governo do Estado e os prefeitos da bacia do Rio das Velhas, promovam a arborização intensiva das margens daquele rio, aproveitando o período de chuvas. Seria, diz ele, uma forma de preservar, além de embelezar, suas margens, sujeitas a desbarrancamentos.

OUTRA de outro leitor, indagando o que aconteceu com o projeto de construção do anunciado Rodoanel, que iria substituir o perigoso, conflagrado e assassino Anel Rodoviário. Respondo: não sei, ninguém sabe, acredito. Parece que a nossa Via Periférica ficou na promessa. O que é uma pena.

ALIÁS, recebo comentários, sobre temas aqui abordados, que mereceriam ser divulgados. Como muitos são elogiosos, fico constrangido. Quanto aos que me contestam, tenho reproduzido os mais interessantes e fundados em razões procedentes. A maioria, porém, deseja esclarecimentos sobre questões que ensejam manchetes jornalísticas, desaparecendo, dias depois, das páginas impressas e dos noticiários televisivos. A propósito, vejam como o ombusdman da Folha de S.Paulo, Carlos Eduardo Lins e Silva, define a imprensa brasileira: "Jornais e jornalistas são arrogantes, prepotentes e não aceitam contestações. Não gostam de ouvir críticas e não querem ser melhorados". Ele disse isso, cada um julgue se é verdade ou não, em uma sabatina realizada em São Paulo.

VOU reproduzir, comentando, se for o caso, alguns dos e-mails dos leitores, quase todos contendo uma pergunta. Um deles que saber o que aconteceu com os policiais que agrediram prisioneiros e aparentemente empurraram as cabeças de suas vítimas para dentro de vasos sanitários? O assunto, explosivo, repugnante, misteriosamente desapareceu da mídia.

OUTRO: como ficou o caso da controversa visita da então secretária da Receita Federal, sra. Lima Vieira à ministra Dilma Rousseff? Ilma confirmou o encontro com a ministra, para tratar de assunto relacionado com as acusações que foram feitas ao presidente do Senado, José Sarney. A ministra, apontada como preferida do presidente Lula para disputar a sua secessão, negou o encontro. A secretária, depois de uma busca em seus arquivos, teria encontrado a agenda que confirmaria a visita. Depois disso, silêncio total. Das duas e da imprensa.

MAIS um: como ficou o processo movido pela Polícia Federal contra o banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity? O delegado que investigava o caso foi afastado pelo ministro Tarso Genro, da Justiça. Depois disso, o que aconteceu?

UM dos mais sérios e antigos: quando os envolvidos nos chamados "mensalões", o nacional e o mineiro, serão julgados? O problema, na espécie, está nos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal, paralisados, pelo que se lê, em virtude de estranhos pedidos de vista de alguns ministros.

OUTRO, mais recente, o do apagão, ou black out, como prefere a ministra Dilma Rousseff. Afinal, o que causou o corte de energia elétrica em 18 estados, houve culpa de algum orgão ligado ao sistema de Furnas, de algum funcionário, do ministro Lobão, como parece desejar o grupo petista do Planalto? Quando tudo será colocado em pratos limpos?

NA ÁREA esportiva, a do futebol, chamado esporte das massas, e na verdade é isso mesmo: quando os códigos serão atualizados, modernizados, incluídos na era da informatização? Juízes e bandeirinhas apitam o que bem entendem, mesmo afrontando as imagens gravadas pela TV que evidenciam os erros cometidos. Futebol, como quase tudo no Brasil de nossos tempos, não é coisa séria?

POR último, adentrando a área política, o que afinal deseja o ex-governador do Ceará Ciro Gomes, em suas andanças pelo país como suposto candidato a presidente e, ao mesmo tempo, a vice-presidente e a governador de São Paulo? Alguns acham que ele pretende apenas agredir, como tem feito, o governador José Serra, de quem não gosta. Aqui em nossa cidade, muito bem tratado, ele foi ao cúmulo da deselegância quando se referiu a Serra, como "o coisa"… Outros desconfiam que ele estaria a serviço de Lula e de Dilma, na tentativa de dividir o PSDB, jogando Serra contra Aécio, o que prejudicaria a possível candidatura de qualquer um deles pela rejeição que o atrito poderá afetar o eleitorado de São Paulo e o de Minas, facilitando a vitória da candidata do PT. Ninguém ainda analisou em profundidade o verdadeiro papel do pouco educado político cearense.

ENFIM, é isso aí. Registrando, como final feliz, jurídica, constitucional e lógica, a decisão do Supremo Tribunal Federal que determinou, por cinco votos a quatro, a extradição do criminoso italiano Cesare Battisti. Lamente-se, apenas, os quatro votos discordantes da maioria, e as presepadas do senador Suplicy em favor do criminoso, abrigado no Brasil por decisão absurda do ministro da Justiça Tarso Genro. Que Battisti volte logo para cumprir, na Itália, a pena que lhe foi imposta pelos quatro homicídios comuns, não políticos, que ele cometeu, conforme decidiu a justiça italiana. Agora, cabe ao presidente da República cumprir a decisão tomada. Ou, como desejam alguns ministros, não… Mais uma piada de mau gosto de um Judiciário algo claudicante. 

* Fábio P. Doyle é jornalista e membro da  Academia Mineira de Letras. Visite o Blog.

 



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