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Minha vida escolar – 2ª parte

Minha vida escolar – 2ª parte

30/03/2024 Eduardo Carvalhaes Nobre

Demorei um pouco mais para escrever sobre minha vida escolar no Instituto Santa Helena, de Belo Horizonte quando, por quatro anos, fiz o que era chamado de primário.

Estes anos foram marcantes pelos bons momentos e alguns não tão bons. Mas, é a vida. Faz parte.

O primeiro ano primário foi com a professora Maria José Palhares uma mestra brava e exigente que me ensinou a ler e escrever as primeiras palavras. 

O início de tudo foi com vários cartazes de plástico pregados na parede e o primeiro deles com um desenho de uma menina e a seguinte escrita:

Lili, olhe para mim. 
Eu me chamo Lili. 
Eu comi muito doce. 
Você gosta de doce? 
Eu gosto tanto de doce!

Nesta estrofe singela estão vários ensinamentos. Por exemplo, toda frase se inicia com uma letra maiúscula. Toda pergunta é finalizada com um ponto de interrogação. E no meio da estrofe muitas letras, palavras e conhecimentos adicionais que com certeza moldaram meu saber.

E quando Lili mudava o tema era uma alegria incontida na turma. Palmas e vivas ecoavam pela sala de aula.

A gente sabia, mesmo com sete anos de idade, que estávamos progredindo, crescendo e aprendendo.

Me recordo quando perguntei para minha mãe em que mês eu saberia ler e escrever fluentemente. Ela respondeu que em junho, no aniversário da Vovó Sinhá, mãe dela, eu já saberia ler e escrever tudo que caísse em minhas mãos.

Fiquei frustrado porque junho chegou, cantamos parabéns para vovó e eu sentia que ainda não era fluente.

Coisa de garotos. A pressa é inimiga da perfeição. Mas esta perfeição de ler, entender e escrever corretamente viria até dezembro, o mês mais esperado da nossa infância. Era quando Papai Noel batia nas portas, as férias escolares começavam, talvez uma viagem e muitas brincadeiras nas ruas de nosso bairro.

Dos colegas do primeiro ano primário não me recordo de todos, mas com certeza eles seguiram comigo, na mesma escola e na mesma classe agora com a professora Dona Iris Faria Matos.

A doce e meiga Dona Íris nos conduziu do segundo ao quarto ano, até a nossa formatura.

Agora, olhando o convite desta formatura que guardo a sete chaves, recordo de vários colegas. Não vou listar todos, mas os amigos a seguir foram os mais próximos dos estudos e brincadeiras.

O primeiro da lista foi Sérgio Gustavo, que mais a frente vou contar como nossa amizade se consolidou e ficou permanente até hoje.

Os colegas Newton, Jarbas, Rubio, Márcio, os dois Renato, Maria Vitória e Alice, as duas Tânia, Otaviano, Hélio e outros que foram testemunhas destes anos maravilhosos. Éramos uns trinta, talvez um pouco mais.

Quanto ao Sérgio Gustavo nossa amizade começou na sala de aula, se estendeu para nossas casas, passou por desfrutarmos de férias na fazenda do seu avô, de paquerar as meninas na Rua Quinze, de dançar no Gino´s, tudo isto e muito mais na friorenta Barbacena, Cidade das Flores. 

E foi lá que o Sérgio me apresentou o meu anjo da guarda, Luisa, que acabou em casamento, uma vida conjunta de 50 anos, três filhos maravilhosos e cinco netos que são nossa alegria.

Voltando as lembranças da escola primária algumas vezes eu e Sérgio ficávamos depois da aula para fazer alguns exercícios “esquecidos”. E lá pelas 18 horas o Chico Taquara, motorista do Dr. Bias Fortes, na época governador de Minas, nos levava para o Palácio da Liberdade para correr pelos corredores, jantar, ouvir histórias da Dona Queridinha, vovó do Sérgio e voltar para casa lá pelas 20 horas. 

Com certeza já passei correndo pelas pernas de JK, Tancredo, Magalhães Pinto e outros políticos da época.

Mas, voltando a escola todos os dias rezávamos uma Ave Maria antes do início das aulas e voltávamos no final para casa na jardineira azul do “Seu” Aníbal. 

E na manhã seguinte, pela manhã fazíamos o “dever de casa”, intermináveis para nós.

E assim foram nossos quatro anos mágicos que passaram em um piscar de olhos.

Para não falar que esqueci de algum fato pitoresco destes anos escolares um dia, o Sandoval, macaco que alegrava a meninada no recreio, fugiu de sua gaiola, subiu com facilidade o muro da escola e pulou para dentro da casa da vizinha. Não satisfeito, abriu a cristaleira e quebrou todos os pratos, copos e travessas dando um enorme prejuízo para a escola.

Para os alunos foi um grande motivo de gargalhadas. Para o Instituto Santa Helena, uma despesa inesperada.

Minha Tia Marita, diretora do primário, contava em gargalhadas esta travessura do Sandoval. 

Talvez alguém se lembra deste episódio. Foi cômico. Como um filme pastelão.

Outra passagem hilária, o Santa Helena comemorava todas as datas religiosas. Agora era o mês de Maria que seria coroada pelas meninas vestidas de anjo. E nós deveríamos jogar flores em determinado momento. Minha mãe, muito religiosa, comprou um buque de flores e vai eu dentro da jardineira carregando as flores e minha vergonha. Olhando de lado vi que nenhum menino levava flores e devagarinho fui desfolhando o buque e jogando as pétalas e folhas debaixo do banco.

Cheguei no colégio segurando somente o caule que foi para o lixo rapidamente.

Me salvei de uma gozação dos colegas, hoje seria “bullying” e Nossa Senhora ficou sem minhas flores. Um pequenino pecado que “Ela” sorriu e perdoou.

Opa! Já ia me esquecendo. Participei da bandinha tocando marimba, do coral cantando nos eventos e já vesti uma roupa de passarinho, tocando um apito de água e voando no palco de Teatro Francisco Nunes. Como era corajoso! Hoje não faria nem a metade!

Bons tempos que talvez os meninos de hoje não vivenciem. A época é outra, os interesses são outros. A vida é diferente.

Como diz o ditado “bons tempos que não voltam mais”.

* Eduardo Carvalhaes Nobre é diretor de O Debate



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