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O apagão, no Brasil

O apagão, no Brasil

01/05/2010 Dirceu Cardoso Gonçalves

A palavra apagão, resultado do aportuguesamento da inglesa blackout, já aportuguesada como blecaute, tomou lugar comum na vida do brasileiro. No momento de maior necessidade, a rede elétrica apaga e o colapso se instala. Em 1999, o misterioso “raio de Bauru” apagou as maiores capitais do Sul-Sudeste e respectivos Estados. Em 2009 o defeito nas torres de Itaipu interrompeu o abastecimento em 18 Estados, mostrando que o problema só se agrava. E os governos, otimistas irresponsáveis, dizem que tudo está bem, atacando o problema quando muito de forma superficial e paliativa. O apagão ficou tão popular que hoje é usado para definir tudo o que funciona mal, como o tráfego aéreo, fila em repartições, falta de dinheiro e até a falta de vergonha dos políticos.

Fontes do setor elétrico fazem questão de lembrar que, tradicionalmente, os apagões - num sistema movido a força hidráulica, como o brasileiro – ocorrem devido ao baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Mas ultimamente tem ficado claro que os reservatórios estão cheios e o que está vazio é a competência da operação do sistema, hoje privatizado e transformado em fonte de lucro e cobiça. Técnicos garantem que os apagões de 1999 e 2009 se deram em função da manutenção deficiente de linhas e subestações.


Nunca é demais lembrar que o Brasil vem dançando na corda bamba do setor energético há muito tempo. A partir da metade dos anos 70, quando começaram a ralear as construções de novas hidrelétricas, ocorreram momentos em que os planejadores do setor elétrico deram o sinal vermelho, alertando de que o Brasil “precisa parar de crescer porque não haverá eletricidade para atender a todos”.

Diz-se que a crise dos anos 80-90 foi providencial, pois evitou o racionamento. Mas pouco ou nada foi feito para eliminar o círculo vicioso.

Durante as três últimas décadas pouco se realizou em termos de conservação e estímulo do uso racional da eletricidade disponível, não se buscou eficientemente outras fontes de produção e o governo fala em desenvolvimento sustentável como se fosse objetivo conseguido com o simples sacudir de uma varinha de condão. É preciso buscar novas fontes energéticas – usinas térmicas, nucleares, eólicas, de

biomassa – para não chegarmos ao gargalo. O potencial hidráulico é limitado pela natureza e já está exaurido em alguns pontos do território nacional. Em outros há problemas ambientais a vencer para a implantação de novas usinas.

Da mesma forma que se coloca em posição de vanguarda em alguns setores, a ponto de ser uma das maiores economias do mundo e grande produtor agrícola, o nosso país tem sido péssimo na  distribuição de renda, na oferta de educação e saúde ao povo e em outros itens básicos. A energia elétrica – ou a falta dela – é preocupante. Se não encontrarmos uma forma sustentável de produzi-la e consumi-la, o colapso será inevitável e o racionamento certo. Acorda, Brasil! Levanta do seu berço esplêndido e cuida dos seus problemas básicos. Antes que seja demasiado tarde...

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br



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