Grupo WhatsApp

O custo da ineficiência do INSS e judicialização em massa

O custo da ineficiência do INSS e judicialização em massa

09/05/2025 Simone Lopes

A recente divulgação de dados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) revelou que o INSS é o epicentro da litigiosidade contra a União, respondendo por impressionantes 87% das ações federais em tramitação.

São 3,8 milhões de processos, a maioria deles movidos por pessoas que apenas querem ver reconhecido um direito básico – o acesso digno a benefícios previdenciários.

A maioria dessas ações envolve benefícios por incapacidade, como auxílio-doença e aposentadoria por invalidez, além de aposentadorias por tempo de contribuição ou especiais.

A razão para tanta demanda judicial é conhecida: perícias médicas mal conduzidas, sistemas ineficientes, ausência de orientação e lentidão no atendimento.

O impacto disso ultrapassa o drama pessoal dos segurados. O que se vê é um colapso sistêmico que sobrecarrega tribunais, gera insegurança jurídica, atrasa pagamentos legítimos e aumenta os gastos públicos com honorários, perícias e custas processuais — despesas que poderiam ser evitadas com uma estrutura mais eficiente.

O que tem sido feito? Iniciativas como o DataJud, do Conselho Nacional de Justiça, e a plataforma Pacifica, da AGU, são esforços relevantes. O primeiro, ajuda a mapear e compreender os focos da litigiosidade.

O segundo busca resolver conflitos antes que se tornem ações judiciais, especialmente nos casos em que benefícios foram negados sem justificativa consistente. Essas ferramentas têm potencial, mas ainda são paliativas diante da profundidade do problema.

É preciso encarar a questão como uma urgência econômica e institucional. A desjudicialização da Previdência não será alcançada apenas com boas plataformas tecnológicas.

Ela exige mudança de cultura institucional, investimento em qualificação técnica, valorização do atendimento humano e revisão de procedimentos que hoje penalizam o segurado em vez de protegê-lo.

Essa judicialização em massa não é apenas um sintoma da ineficiência do sistema. É, acima de tudo, um alerta sobre os custos econômicos e sociais da má gestão pública.

Cada processo judicial representa não apenas um gasto para o Judiciário e para os cofres da União, mas também um cidadão ou cidadã à espera, por meses ou anos, de uma resposta que deveria vir de forma administrativa, célere e justa.

Enquanto o sistema não se transforma, a judicialização seguirá sendo, para milhões de brasileiros, o único caminho para obter um direito básico.

E o Estado precisa mudar sua rota ou seguirá pagando por sua própria ineficiência, em todos os sentidos.

* Simone Lopes é advogada especialista em Direito Previdenciário e sócia do escritório Lopes Maldonado Advogados.

Para mais informações sobre judicialização clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Todos os nossos textos são publicados também no Facebook e no X (antigo Twitter)

Quem somos

Fonte: Ex-Libris Comunicação Integrada



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca