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O que podemos aprender com o título da Argentina

O que podemos aprender com o título da Argentina

23/12/2022 Rodrigo Cunha Ribas

Para alguns, a vitória da Argentina sobre a França, na final da Copa do Mundo de 2022, já é a maior partida da história do futebol ou, na pior das hipóteses, o melhor jogo de Copa do Mundo da história.

Apesar de ter sido muito emocionante assistir essa partida, para dizer o mínimo, este artigo não é sobre o jogo em si, tampouco sobre as críticas que podemos fazer ao futebol e, principalmente, à organização que se encontra em seu comando, a FIFA.

Aqui pretendo apenas destacar algumas lições que podemos retirar do jogo e da campanha da Argentina como um todo, as quais são aplicáveis para muito além do futebol.

Nunca desista, porque nunca se sabe

A Argentina entrou na Copa do Mundo deste ano como a grande favorita, ao lado de Brasil e França. E eles tinham várias razões para isso, a mais importante delas se resumindo a um nome: Lionel Messi.

Para alguns, “los hermanos” tiveram muita sorte em enfrentarem a Arábia Saudita no seu primeiro jogo na competição, seleção essa que era uma das favoritas para ser o pior time da competição. Não era uma questão de se os argentinos iriam vencer aquele jogo, mas sim por quanto.

Os sauditas, porém, tinham planos diferentes. Numa das grandes zebras da história das Copas do Mundo, a Arábia Saudita venceu a Argentina por 2x1.

Naquele momento, muitas pessoas começaram a descartar os argentinos como possíveis campeões, principalmente porque no jogo seguinte, contra México, eles poderiam já ser eliminados. E cá estão “los hermanos”, tricampeões do mundo.

Mas como o futebol e os esportes são cheios de histórias do tipo “nunca desista”, vamos citar mais dois exemplos, ambos do jogo da final.

Perto dos 80 minutos de jogo, a França estava perdendo por 2x0, sendo muito improvável que pudessem vir a causar alguma dor de cabeça para a Argentina, principalmente porque, vamos ser francos, os franceses estavam “tomando uma surra”, mal tendo oferecido algum perigo ao goleirão Emilíano Martinez.

Então, a jovem estrela francesa Kylian Mbappé marcou duas vezes, em menos de dois minutos. Algo parecido aconteceu na prorrogação.

Messi marcou o terceiro gol da Argentina e, faltando apenas três minutos para o apito final, Kylian Mbappé repetiu a proeza e empatou o jogo.

A Argentina parecia fadada a perder o jogo, mas graças ao seu goleiro, que fez uma defesa inacreditável numa das últimas jogadas da prorrogação, evitando o quarto gol francês, "los hermanos" sobreviveram e levaram o jogo para os pênaltis.

Voltemos alguns minutos, porque precisamos falar do jogador argentino Gonzalo Montiel. Afinal, foi ele quem cometeu o pênalti que resultou no terceiro gol da França e de Mbappé, próximo ao final da prorrogação, aparentemente colocando um fim no sonho de Messi de finalmente vencer uma Copa do Mundo.

Porém o destino é algo estranho, sobretudo quando se trata de futebol: foi o próprio Gonzalo Montiel quem bateu o pênalti que deu o título para a Argentina e para Lionel Messi o troféu que lhe faltava.

O poder da sorte

Para eu não me estender, vamos apenas dizer que sorte tem um papel em praticamente tudo nas nossas vidas, ao contrário do que defendem alguns entusiastas da meritocracia, e isso não é diferente quando o assunto é futebol.

Como comentei acima, a Argentina poderia ter sido eliminada em vários jogos antes da final. Por exemplo, a Austrália, nas oitavas de final, quase marcou um gol no final do jogo que poderia ter dado um destino bem diferente aos argentinos; algo similar ao jogo da final aconteceu na partida deles contra a Holanda, o que também poderia ter resultado em eliminação.

Se não fosse aquela baita defesa de Martinez no fim da prorrogação, o destino da Argentina também poderia ter sido diferente, com a França levantando o troféu mais importante do futebol pela segunda vez consecutiva.

Podemos fazer a mesma afirmação em relação à cobrança de Lionel Messi, nos pênaltis, que por pouco não foi defendida por Hugo Lloris, o que poderia dar outro final para essa história.

Devemos parar de celebrar apenas os vencedores

A maioria das culturas tende a idolatrar os vencedores e a esquecer dos perdedores, mas o jogo da final nos deu uma lição sobre isso, de que esse jeito de pensar é simplesmente errado.

Como acabamos de ver, muitas coisas aconteceram, algumas das quais por pura sorte, que resultaram no título da Argentina. A França poderia ter vencido a partida da mesma maneira.

Na verdade, a França poderia ter inclusive enfrentado outro adversário na final, como o Brasil, que foi eliminado de uma forma bastante inesperada e provavelmente "venderia caro" uma eventual eliminação para a Argentina na semifinal.

Se ignorarmos tudo isso e continuarmos a nos esquecer dos perdedores, poderemos cometer algumas injustiças, como não nos lembrarmos do jogo mágico de Mbappé que, com apenas 23 anos, foi o artilheiro da Copa, com oito gols, três dos quais na final, o que é simplesmente inacreditável, surreal.

Ele é um dos poucos que conseguiram marcar gol em duas finais de Copa diferentes e apenas o segundo que fez um hat trick numa decisão da competição.

Talvez a injustiça mais triste de todas que cometeríamos aconteceria se a França acabasse vencendo a Copa e Messi terminasse a carreira sem esse troféu, o que não ocorreu por pouco.

Todos nos lembramos quão criticado Messi tem sido, desde que se tornou o melhor jogador de sua geração, por não vencer uma Copa do Mundo, principalmente após a derrota da Argentina para a Alemanha na final de 2014. Após, Messi inclusive afirmou que não jogaria mais pela seleção argentina.

Quão injusto teria sido a França vencer o jogo, Messi continuar sem um troféu de Copa do Mundo e, apesar dos seus dois gols na final e de ter sido o melhor jogador do torneio, simplesmente nos esquecermos do que ele fez por sua seleção?

Isso não importa, porque uma vez mais podemos adiar esse tipo de pergunta e nos esquecer dos "perdedores", apesar do fato de que graças a eles pudemos ter muita diversão na final da Copa do Mundo de 2022.

* Rodrigo Cunha Ribas é advogado.

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Fonte: Central Press



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