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O trabalho está deixando as pessoas mais doentes

O trabalho está deixando as pessoas mais doentes

01/12/2022 Maria Inês Vasconcelos

O trabalho faz parte da história do ser humano. Desde a antiguidade, o homem promoveu a exaltação da atividade laboral nos livros sagrados e na própria tradição de cultivar valores que o trabalho proporciona.

Vemos isso no dia a dia, quando repetimos a crença milenar de que uma pessoa trabalhadora é uma pessoa honesta e honrada. Talvez até seja verdade, mas as relações trabalhistas nem sempre foram equilibradas.

Se num passado não muito distante houve regimes de servidão e de escravidão, hoje a exploração ocorre de forma mais romantizada, ao mesmo tempo que mecânica.

A atividade desempenhada pelo trabalhador é focada no resultado, na eficiência, no lucro que serve de justificativa à manutenção do trabalhador.

O empregado – que agora ganhou o termo ‘colaborador’ como eufemismo – vê-se obrigado a colaborar com a empresa não apenas executando sua função, mas também submetendo-se a avaliações periódicas que atestam sua serventia para a empresa.

Isso o submete a uma pressão que custa seu tempo, sua condição psicológica e sua saúde física de modo geral. O trabalhador está cada vez mais eficiente, porém também está cada vez mais doente. E isso em decorrência de sua excessiva subserviência ao patronato e ao próprio mercado.

Não por acaso, há estudos consistentes elaborados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Mundial do Trabalho (OIT) que confirmam que a superexposição ao trabalho aumenta e muito o risco de desenvolvimento de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e de doença isquêmica do coração.

Os dados, produzidos em 2016, mostraram que jornadas de trabalho iguais ou superiores a 55 horas semanais expandiam as chances de AVC em 35%.

Naquele mesmo ano, mostrou o estudo, foram registradas mais de 745 mil mortes em todo o mundo ocasionadas pelo excesso de trabalho. Embora já seja um cenário grave, está longe de ser o único risco a que o trabalhador está exposto.

O próprio Ministério da Saúde já produziu cartilhas nas quais alerta para o alto risco de cânceres de mama e de próstata provocados pela exposição a certos tipos de trabalho.

O material relacionado à mama menciona que atividades como radiologia, esterilização de materiais médico-cirúrgicos e hospitalares, fabricação de transformadores elétricos e serviços de eletricista são apenas algumas das que tornam substancialmente maiores os riscos de câncer nas mulheres.

Nos homens, diz o Ministério da Saúde, o risco de câncer aumenta quando o trabalhador se expõe à fundição de metais não ferrosos, à fabricação de materiais como vidros, baterias, PVC e borracha, à produção e aplicação de agrotóxicos com arsênio, além de atividades como radiologia e em usinas nucleares, entre outras.

Portanto, a tal dignidade que o trabalho oferece pela serventia humana deve ser acrescida de condições absolutas de respeito à saúde de cada trabalhador.

É um direito tão intrínseco quanto o do salário por sua atividade, que por sinal é geradora de desenvolvimento e abastecimento da própria economia.

Não é justificável que o preço desse benefício seja pago com a própria vida humana. Quando isso ocorre, é sinal de que precisamos mais uma vez rever as relações de trabalho, assim como foi feito no passado com a escravidão.

Uma boa dose de sensibilidade e de enrijecimento da lei trabalhista são os primeiros passos em favor dessa mudança.

* Maria Inês Vasconcelos é advogada, pesquisadora, professora universitária e escritora.

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Fonte: Naves Coelho Comunicação



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