Grupo WhatsApp

Quarenta mil emendas do balcão político brasileiro

Quarenta mil emendas do balcão político brasileiro

22/10/2025 Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

Existem 40 mil emendas parlamentares – dinheiro que o governo libera a pedido de senadores e deputados para as localidades onde estes fazem política – sob suspeita e investigação no âmbito do Supremo Tribunal Federal.

Além do problema que cada procedimento desta ordem pode apresentar, encontramos, com destaque o estremecimento da relação entre Legislativo, Executivo e Judiciário, os Três Poderes da União.

O primeiro pelo suposto recebimento irregular dos recursos, o segundo por fazer os pagamentos problemáticos e o terceiro apurando a questão.

A emenda parlamentar é o resultado do relacionamento interesseiro desenvolvido desde a redemocratização, ocorrida em 1985, ano em que os militares devolveram o poder aos civis, muitos deles anistiados e voltando do exílio.

Por não disporem de bancada majoritária, os sucessivos governantes do Brasil novamente democrático (ou redemocratizado) utilizaram o recursos de investir verbas públicas nas regiões de atuação dos parlamentares para, com isso, conquistar seus votos nos projetos submetidos ao Congresso Nacional (Senado e Câmara).

Segundo observadores políticos de então, era a “compra” do voto legislativo. Todos os governantes do período – usaram o expediente e os parlamentares conseguiram regulamentar as ditas emendas parlamentares, tornando parte delas impositivas, sem necessidade de depender da anuência do Executivo.

A relação torna-se cada dia mais complicada, pois com essa montanha de dinheiro envolvida, o processo governativo torna-se um negócio em vez de negociação entre as partes. 

Não chega a ser ilegal o parlamentar lutar para a conquista de recursos e obras públicas para sua base eleitoral. Mas existem muitas denúncias de desvios e outras irregularidades, estas capituladas no Código Penal e outros instrumentos punitivos da legislação pátria.

Governantes e parlamentares acabam com a imagem depreciada perante o eleitorado, que não concorda com o expediente de convencimento remunerado.

O ideal seria que o senador ou deputado se limitasse a usar o seu peso político para conseguir os empreendimentos governamentais, sem negociar sua posição política conforme determinam os manuais de procedimento entre os poderes.

O procedimento político-administrativo desenvolvido a partir da Nova República conduziu nosso País ao atual estado de coisas.

Políticos minoritários que não concordam com perder votações em suas casas legislativas recorrem à judicialização das matérias (e com isso trazem o Judiciário para dentro da cena político-legislativa) e os segmentos fechados com o governo beneficiam-se com as emendas parlamentares que, legais ou ilegais, têm má imagem junto ao povo a partir do princípio de que os parlamentares são representantes do eleitorado e não devem “vender” seus votos ao governantes de plantão.

O quadro tornou-se crítico e hoje a política nacional sofre diante da relação entre suas diferentes correntes e segmentos. Ha, no Parlamento.

O incômodo provocado pelas emendas e o reposicionamento dos membros, mas a força do dinheiro acaba sobrepujando os interesses.

Não sabemos que rumo tomarão as investigações relativas às 40 mil emendas parlamentares problemáticas. Mas não é difícil considerar que, qualquer que seja a providência, vai causar desconforto e crises.

E, por conta desse “combustível”  que garante votos, a maioria das matérias fica emperrada nos corredores do Legislativo, sem evoluir e nem irem para o arquivo.

Assim já ocorreu com as reformas trabalhista, economia e fiscal que pouco têm avançado e, com isso, não se implementam e nem mudam a vida nacional.

Agora estamos entrando no ano das eleições gerais (2026), onde todos os parlamentares estarão empenhados na tentativa de reeleição, o mesmo ocorrerá com o presidente da República e os governadores da maioria dos Estados e toda a classe política só pensa na melhor composição para o próximo dia 6 de outubro, quando o eleitorado comparecerá às urnas.

Temos algumas matérias importante em andamento – a anistia aos envolvidos nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e o contencioso do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado pelo Judiciário de ter tentado o golpe de Estado – mas nem essas questões são garantidas dentro da imensa colcha de retalhos político-ideológicos em que foi convertido o Legislativo Brasileiro.

Oremos na esperança de que o próximo Congresso seja mais resolutivo e menos afeito às emendas parlamentares.

Por mais honesta que seja, a emenda parlamentar apresenta vício de origem. Dá a impressão de que o recebedor foi comprado (e não cumpre seu dever para com o eleitorado). Por essa razão e outras do gênero, a emenda parlamentar precisa ser extinta.

Quem recebe benesses para si ou para seus representados, perde a independência e até a razão para fiscalizar as ações do governo e elaborar leis que beneficiem a comunidade. Chega de parlamentares com cara de comprometidos!

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

Para mais informações sobre emenda parlamentar clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!

Entre para o nosso grupo de notícias no WhatsApp

Todos os nossos textos são publicados também no Facebook e no X (antigo Twitter)

Quem somos



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca