Grupo WhatsApp

Reeleição, a praga que convulsiona a política brasileira

Reeleição, a praga que convulsiona a política brasileira

08/11/2021 Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves

A reeleição para o Poder Executivo (presidente da República, governador de Estado e prefeito municipal), criada em 1997, através da Emenda Constitucional n° 16, em vez de avanço, é um fator de desagregação e atraso na vida política brasileira.

Sua criação, pelo que indica a história recente, deve ter atendido a vaidade e possivelmente até os interesses do então presidente FHC e sucessores.

Mas levou para dentro dos gabinetes governamentais a desconfiança, o clima eleitoral infindável e a nefasta polarização.

Antes de seu surgimento, o governante era eleito e, ao tomar posse, só tinha a preocupação de fazer uma boa administração e, se possível, eleger o sucessor pertencente à mesma corrente política.

Hoje, o eleito já entra no posto pensando e elaborando esquemas para obter os quatro anos do mandato seguinte.

E não tem o devido sossego para governar porque, como potencial candidato à eleição seguinte, é torpedeado todos os dias e desde o dia da posse, pelos adversários.

Bolsonaro é exemplo disso. Os que para ele perderam começaram tentando fazer crer em fraude na campanha e na eleição e, com esse argumento, cassar a chapa. Não conseguiram, mas atrapalharam o governo.

Tudo o que se assaca contra o governante, com o objetivo de intrigá-lo com o eleitorado na provável reeleição, tumultua seu governo e prejudica diretamente o povo.

Governadores de olho grande no Palácio do Planalto, politizaram o combate à Covid-19 e, auxiliados pela caricata Comissão Parlamentar de Inquérito que deslustrou o Senado, pois antes de qualquer apuração, já tinha conclusão que mirava o presidente e, ao final, tentou enquadrá-lo em crimes não capitulados no ordenamento jurídico nacional, só existentes nas cabeças atribuladas dos oposicionistas que, sendo maioria no grupo, transformaram a CPI num palanque multiuso, sem apurar nada de concreto, especialmente no que tange a corrupção e envolvimento do presidente ou gente de seu círculo político-administrativo..

Não houvesse a possibilidade de reeleição, Bolsonaro, governadores e prefeitos hoje atropelados e até difamados pelos que querem suas cadeiras nas sedes de governo estariam atuando tranquilos e em melhores condições de realizar obras e serviços prioritários, desincumbindo-se dos compromissos firmados com o eleitorado na hora em que pediram voto e o receberam (tanto que foram eleitos).

A reeleição é um instituto tão controverso que ainda ecoa em nossas cabeças o dito por Michel Temer, experiente político, ao assumir a presidência em razão do impeachment de Dilma Rousseff.

Embora a legislação lhe desse esse direito, ele adiantou que abriria mão de concorrer à reeleição em 2018. Mas, mesmo assim, foi patrulhado por adversários temerosos da possibilidade de vir a mudar de ideia.

Pelo bem da Nação e pacificação da política nacional em todos os níveis, o aconselhável é revogar a possibilidade de reeleição para cargos executivos em qualquer tempo.

Tendo governado durante um mandato, o seu titular deveria ficar para sempre inabilitado ao mesmo posto, compreendendo-se que governar é uma prestação de relevantes serviços à comunidade, não é profissão que o indivíduo tenha de exercer continuamente e, muito menos, um meio de vida.

O ex-governante, aproveitando a experiência adquirida, poderia fazer parte de um conselho com a função de apoiar e dar estabilidade ao governante em questões difíceis e de alta relevância, como já ocorre em alguns países desenvolvidos.

Desocupando-se as chamadas "cadeiras cativas" da política, sobraria espaço para o surgimento de novas lideranças, através de cidadãos com condição de oferecer sua contribuição à comunidade, que assim seria melhor servida.

E para os contumazes titulares de mandatos, que não sabem ficar fora das eleições, restaria a possibilidade de reeleição por tantos períodos conseguir convencer o eleitor a dar-lhe seu voto para senador, deputado (federal e estadual e vereador.

Governar tendo a tarefa paralela de preparar a campanha da eleição seguinte é um grande desperdício de tempo, dinheiro e prestígio. Muitos não fazem bem uma coisa e nem a outra.

Acabar com a reeleição pode ser a grande obra do momento. Não pode incorrer no casuísmo de barrar Bolsonaro e os atuais governadores e prefeitos eleitos com essa expectativa.

Mas ter a legislação alterada para os eleitos de 2022 e 2024 já saibam que exercerão apenas um mandato, sem a possibilidade de prorrogação ou volta.

* Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo).

Para mais informações sobre reeleição clique aqui…

Publique seu texto em nosso site que o Google vai te achar!



Para onde caminha a humanidade?

O pragmatismo está ampliando a confrontação econômica. Novas formas de produzir e comercializar vão surgindo com mais rigidez e agilidade.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Reforma Tributária: mudança histórica ou novo capítulo do caos fiscal

A Reforma Tributária entra na fase prática em 2026 com a criação do IBS e da CBS, que passam a incidir com alíquotas reduzidas.

Autor: Eduardo Berbigier


Austeridade fiscal, caminho obrigatório para ordem e progresso

Quando se aproximam as eleições, o brasileiro se pergunta se é possível ter um país melhor em condições de vida para todos os cidadãos. É o que se deseja.

Autor: Samuel Hanan


Impeachment não é monopólio

A decisão de Gilmar Mendes e o estrangulamento institucional.

Autor: Marcelo Aith


Nova lei da prisão preventiva: entre a eficiência processual e a garantia individual

A sanção da Lei 15.272, em 26 de novembro de 2025, representa um marco na evolução do processo penal brasileiro e inaugura uma fase de pragmatismo legislativo na gestão da segregação cautelar.

Autor: Eduardo Maurício


COP 30… Enquanto isso, nas ruas do mundo…

Enquanto chefes de Estado, autoridades, cientistas, organismos multilaterais e ambientalistas globais reuniam-se em Belém do Pará na COP 30, discutindo metas e compromissos climáticos, uma atividade árdua, silenciosa e invisível para muitos seguia seu curso nas ruas, becos e avenidas do Brasil e do mundo.

Autor: Paula Vasone


Reforma administrativa e os impactos na vida do servidor público

A Proposta de Emenda à Constituição da reforma administrativa, elaborada por um grupo de trabalho da Câmara dos Deputados (PEC 38/25) além de ampla, é bastante complexa.

Autor: Daniella Salomão


A língua não pode ser barreira de comunicação entre o Estado e os cidadãos

Rui Barbosa era conhecido pelo uso erudito da língua culta, no falar e no escrever (certamente, um dos maiores conhecedores da língua portuguesa no Brasil).

Autor: Leonardo Campos de Melo


Você tem um Chip?

Durante muito tempo frequentei o PIC da Pampulha, clube muito bom e onde tinha uma ótima turma de colegas, jogadores de tênis, normalmente praticado aos sábados e domingos, mas também em dois dias da semana.

Autor: Antônio Marcos Ferreira


Dia da Advocacia Criminal: defesa, coragem e ética

Dia 2 de dezembro é celebrado o Dia da Advocacia Criminal, uma data emblemática que, graças à união e à força da Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas (Abracrim), integra o calendário oficial das unidades federativas do país.

Autor: Sheyner Yàsbeck Asfóra


STF não tem interesse – nem legitimidade – em descriminalizar aborto

A temática relativa ao aborto e as possibilidades de ampliação do lapso temporal para a aplicação da exclusão de ilicitude da prática efervesceram o cenário político brasileiro no último mês.

Autor: Lia Noleto de Queiroz


O imposto do crime: reflexões liberais sobre a tributação paralela nas favelas brasileiras

Em muitas comunidades brasileiras, especialmente nas grandes cidades, traficantes e milicianos impõem o que chamam de “impostos” – cobranças sobre comerciantes, moradores e até serviços públicos, como transporte alternativo e distribuição de gás.

Autor: Isaías Fonseca