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Um apetite fora de qualquer medida

Um apetite fora de qualquer medida

12/12/2023 Antônio Marcos Ferreira

As cidades do interior são sempre muito fartas em gerar personagens interessantes.

Uma das razões e acho que a mais importante é que o nível de contato com as pessoas é maior do que nas capitais ou cidades grandes.

Nestes locais a correria acaba dificultando que as pessoas se conheçam com profundidade e muitas características passem despercebidas.

Por isso Manga, minha terra natal, embora pequena, é rica em personagens pitorescos. Dentre eles, houve um que ficou famoso, embora não fosse morador da cidade.

Era funcionário do INSS e ia frequentemente a Manga para fazer os pagamentos dos aposentados locais, já que não havia agência bancária.

Ele fazia as viagens carregando uma pasta cheia de dinheiro e pagava pessoalmente os aposentados. Situação inimaginável para os dias atuais.

Uma de suas características marcantes é que era muito gordo, pesando em torno de 150 kilos. E era um glutão que não escondia essa sua condição.

Pelo contrário, ele se vangloriava dessa situação e gostava de contar vantagem pelo tanto que comia e colecionava histórias por onde passava. Mas não eram mentiras, pois ele comia muito mesmo.

Quando chegava nas pensões da região, não era possível cobrar por uma refeição, como era normal, pois as dele representavam três ou quatro vezes a de uma pessoa comum.

Numa de suas viagens ele passou por uma localidade chamada Passagem do Carro, situada entre Januária e Miravânia.

Chegando numa pensão que já era do seu conhecimento, chamou a dona e disse: - Oi, dona Maria, mata uns quatro frangos pra mim. Tem leitoa aí? - Tem não. - Então a senhora mata quatro frangos, faz um feijãozinho, um arroz, se tiver toucinho a senhora corta umas toras e coloca no feijão. Porque vão chegar mais três pessoas mais tarde.

E assim ela fez. Passado um tempo dona Maria perguntou: - E aí, seu João (o seu nome era João Costa), cadê o pessoal? - Não precisa esperar não, dona Maria. Pode colocar na mesa.

Ela colocou e ele começou a comer com a voracidade de sempre. Comeu toda a comida que ela colocou na mesa e depois perguntou: - Dona Maria, quantos frangos a senhora matou? - Quatro, como o senhor pediu. - Então estão faltando três asas, duas coxas e quatro pés. - Estão na panela, seu João. - Pois pode trazer.

Depois de comer tudo, perguntou: - Dona Maria, a senhora tem doce? - Tenho marmelada em lata. - Tá bom, traz uma lata pra mim. E queijo, a senhora tem? - Tenho sim, tenho um queijo fresco. - Então traz um queijo também para comer com a marmelada. Não, pode trazer dois.

Comeu os queijos com a marmelada, tomou uma moringa de água e procurou uma rede próxima, no quintal da pensão e foi tirar um cochilo.

Começou a roncar numa altura que assustou o pessoal. Roncava na ida e na volta. Rooooooommm Raaaaaammmm Rooooooommm Raaaaaammmm O pessoal ficou apavorado.

Dona Maria dizia: - Meu Deus, se este homem morrer aqui nós estamos perdidos. Seu marido disse pra ela: - Mulher, então faz um chazinho de flor de mamão pra ele aí. - Será que ele vai querer? Vai lá e pergunta pra ele.

O marido chegou próximo à rede e perguntou: - Seu João, oi seu João? - Oi - O senhor quer um chazinho de flor mamão? - Se for com requeijão eu quero. O casal, assustado, apenas sorriu, também aliviado.

Certa vez ele voltava de Belo Horizonte naquelas jardineiras e, como sempre, carregava aquela pasta repleta de dinheiro.

Nessa ocasião ele contava ao pessoal que precisou ir a Belo Horizonte fazer umas consultas médicas, pois estava sentindo alguns incômodos, algumas dores e resolveu procurar ajuda médica.

Durante a consulta, no processo de anamnese, o médico resolveu conhecer os seus hábitos alimentares e começou a lhe fazer as perguntas:

- E aí, seu João, como é a sua alimentação? - Como assim, Doutor? - Por exemplo, pela manhã, o que o senhor come? - De manhã eu gosto muito de farofa. Então eu como uma farofa de um frango, como uns seis a oito pães com manteiga.

- Nossa, seu João, isso tudo? E o senhor ainda almoça? - Mas antes, lá pelas nove horas eu tenho um desjejum onde eu gosto de frutas. Aí eu como uma jaca ou uma melancia. Às vezes uma melancia e meia, uma dúzia de bananas. Mas eu gosto é da caturra, aquela grande.

- E no almoço? - No almoço eu normalmente como dois frangos, às vezes uma banda de uma leitoa. O médico foi arregalando os olhos, mas continuou:

- E à noite, o senhor janta? - Sim, mas antes do jantar na minha terra tem o costume do café de tomar o café do meio dia. Aí eu tomo dois litros de suco de abacate e como uns dez pães de queijo. - Dez pães de queijo? Perguntou o doutor. - Mas não é daqueles pequeninos que eles fazem aqui não. São aqueles grandes (mostrou com a mão o tamanho dos pães de queijo).

O doutor cada vez mais apavorado! - E no jantar? - No jantar eu dou uma maneirada. Eu como mais um frango e alguma coisinha qualquer.

Nesse momento o médico parou de anotar aquele cardápio inacreditável, colocou a caneta do lado e lhe perguntou: - Seu João, o senhor está pensando em ir embora quando? - Eu tenho que ir embora assim que acabar aqui, doutor. Já estou com tudo pronto. É só o senhor me dizer o que eu preciso fazer.

- Pois eu acho que o senhor vai precisar esperar um pouco. Porque nós vamos fazer uma operação no senhor. Muito assustado, o João quis saber. - Operação, doutor? O quê que eu tenho?

- Seu João, nós vamos ter que abrir mais um cu no senhor, porque num cu só não dá pra sair tudo que o senhor come não!

João Costa levou um susto mas logo se refez. Apanhou sua pasta e antes de sair, perguntou: - Doutor, o senhor conhece alguma pizzaria aqui perto?

* Antônio Marcos Ferreira

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