Grupo WhatsApp

Boas e más notícias no comércio exterior brasileiro

Boas e más notícias no comércio exterior brasileiro

10/11/2020 João Carlos Marchesan

A indústria de transformação brasileira vem perdendo peso em nossas exportações ao longo dos anos.

Boas e más notícias no comércio exterior brasileiro

A balança comercial brasileira tem mostrado um bom desempenho, ao longo deste ano e especialmente nos últimos meses, apesar da forte redução no comércio mundial. Esta queda nas trocas internacionais foi causada, inicialmente, pelo acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China e agravada, posteriormente, pela grave recessão decorrente do impacto da pandemia do coronavírus na economia global.

A boa notícia é que apesar destes fatores, que reduziram nosso fluxo de comércio, a previsão é de um saldo positivo da ordem de US$ 55 bilhões, o que significa um aumento de mais de 15% em relação ao resultado de 2019. Isto é extremamente importante para limitar nosso déficit em conta corrente, já estruturalmente negativo, e que poderia ser ampliado em função da redução do volume de investimentos externos.

O relativo equilíbrio, ou pequeno déficit, em nosso balanço de pagamentos, pressionado pela queda dos investimentos externos em função da recessão mundial e pela saída de capitais por causa da redução dos juros reais internos e das turbulências políticas, é essencial para reduzir a excessiva depreciação do Real e, portanto, evitar que o câmbio acabe contaminando os índices de inflação, obrigando o Banco Central a subir os juros.

A má notícia, aliás, as más notícias são duas. A primeira é que este superávit se deve, muito mais, à queda das importações do que ao aumento das exportações. De fato, em julho, as importações despencaram nada menos do que 35%, contra uma queda de menos de 3% nas exportações e as projeções anuais são de que nossas importações caiam cerca de 20% contra os 10% de queda, prevista em nossas exportações.

A segunda má noticia é que, apesar da queda das exportações brasileiras ter sido relativamente pequena, de 6,4%, no primeiro semestre de 2020, em comparação com 2019, ela se concentrou em produtos industriais, que caíram 15,6%, reduzindo a participação da indústria, a pouco mais de 50% do total de exportações brasileiras, uma queda de mais de 30 pontos em relação a 2020, quando a indústria representava mais de 80% do total exportado.

Para piorar, o recuo nas exportações industriais de alta e média-alta tecnologia foi de nada menos de 32,5% no primeiro semestre, reduzindo a participação destes setores à metade do que representavam dez anos atrás. Ou seja, a indústria de transformação brasileira vem perdendo peso em nossas exportações ao longo dos anos e, mais grave ainda, perdendo participação na produção  mundial de manufaturados, desde a década de 90.

Atualmente a indústria de transformação brasileira representa cerca de 1,8% da produção mundial, reduzindo praticamente à metade a participação de 3,37%, que alcançamos em 1994. Como as exportações de manufaturados são uma boa medida de nossa competitividade, os dados mostram que a indústria brasileira vem perdendo espaço desde a década de 90. Isto tem se refletido numa desindustrialização precoce, que reduziu sua participação no PIB a menos da metade do que era no fim dos anos 80.

As causas são muitas, mas não há dúvidas que juros elevados e Real valorizado tiveram um papel preponderante neste processo. Se somarmos a isto o “custo Brasil”, que é a soma de nossas ineficiências sistêmicas, e que acrescenta ao custo dos produtos industrializados, cerca de 30 pontos percentuais, a mais do que nossos concorrentes internacionais, temos as razões principais da perda do peso da indústria, tanto interna, quanto externamente.

Se quisermos voltar a crescer decentemente, gerando empregos de qualidade, o papel da indústria é insubstituível e, portanto, qualquer plano de retomada das atividades econômicas tem que prever necessariamente a redução do custo Brasil, através principalmente da aprovação da reforma tributária, da redução dos juros de mercado a patamares compatíveis com nossos concorrentes e da redução dos custos de logística e de energia.

 Além de um ambiente macroeconômico favorável, é necessário melhorar e simplificar o ambiente de negócios, para garantir maior segurança jurídica e prover estímulos eficientes às atividades produtivas, com apoio a P&D, I, credito abundante e competitivo para produção e exportação que tem que contar, também, com um sistema de seguro que reduza o risco do exportador. Em resumo, o país precisa de um plano de desenvolvimento que não pode ser deixado exclusivamente aos cuidados do mercado.

* João Carlos Marchesan é administrador, empresário e presidente do Conselho de Administração da ABIMAQ – Associação Brasileira da Indústria de Máquinas

Fonte: Vervi Assessoria



Planejamento de férias coletivas vai além de funcionários

Com a chegada do fim do ano, empresas se preparam para as férias coletivas, exigindo planejamento que inclui legislação, segurança e limpeza do ambiente.

Autor: Divulgação


A morte súbita das empresas do Simples já começou

Não é exagero dizer que estamos prestes a assistir a uma morte súbita das empresas do Simples Nacional.

Autor: Carlos Alberto Pinto


Diferença entre ser empreendedor e ser empresário

Apesar de serem usados como sinônimos, empreendedor e empresário não são exatamente a mesma coisa.

Autor: Leonardo Chucrute

Diferença entre ser empreendedor e ser empresário

Vendas da Black Friday aquecem o comércio e impulsionam os resultados em Minas Gerais

67,9% do comércio de MG teve vendas iguais ou maiores na Black Friday 2025 vs. 2024. Estratégias e economia impulsionaram o resultado.

Autor: Divulgação

Vendas da Black Friday aquecem o comércio  e impulsionam os resultados em Minas Gerais

Pressão e festas de fim de ano disparam casos de assédio

Cobrança intensa por metas e eventos corporativos elevam risco de assédio moral e sexual. Ações de prevenção são questionadas.

Autor: Divulgação

Pressão e festas de fim de ano disparam casos de assédio

Etiqueta na ‘festa da empresa’ define futuro profissional

Especialistas alertam que confraternizações de fim de ano exigem limites e postura equilibrada para evitar demissões ou prejudicar a imagem na carreira.

Autor: Divulgação

Etiqueta na ‘festa da empresa’ define futuro profissional

Protecionismo global ameaça exportação do Brasil

CNC promove fórum para debater o impacto do “tarifaço” dos EUA e das barreiras comerciais no mundo, afetando a competitividade brasileira.

Autor: Divulgação


Tributação: é melhor importar ou fabricar?

A imprensa informa que diariamente entram nos Estados Unidos um bilhão de dólares de mercadorias importadas da China. Em outras nações também há um expressivo volume de importações.

Autor: Benedicto Ismael Camargo Dutra


Custos ocultos no quadro de funcionários próprios

Decisão entre terceirização e empregados diretos vai além da folha de pagamento, envolvendo riscos legais, gestão e treinamento da equipe.

Autor: Divulgação

Custos ocultos no quadro de funcionários próprios

Difundir conhecimento é fortalecer a empresa

Difundir conhecimento é, acima de tudo, um exercício de cultura organizacional.

Autor: Wanessa Cunha

Difundir conhecimento é fortalecer a empresa

Casos de assédio sexual crescem 35% no Brasil

Número de ações na Justiça do Trabalho evidencia urgência; especialistas alertam que nem toda cobrança é assédio, mas o tema exige políticas claras.

Autor: Divulgação

Casos de assédio sexual crescem 35% no Brasil

RH e TI: a nova parceria estratégica que está moldando o futuro do trabalho

Nos últimos anos, testemunhou-se uma aceleração tecnológica sem precedentes.

Autor: Juliana Maria