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A mulher da atualidade e suas novas enfermidades

A mulher da atualidade e suas novas enfermidades

08/03/2017 Flavio Sussumu Yasuda

Desde a pré-história, os hábitos da mulher têm passado por constantes modificações.

A mulher da atualidade e suas novas enfermidades

Até a revolução industrial, o papel feminino era dedicado, prioritariamente, à base familiar, educando, cuidando e organizando. Temos exceções, é verdade, e, ao longo da história, surgiram muitas mulheres que já nos tempos mais remotos, fugiram do padrão e entraram para história como grandes estadistas ou revolucionárias.

Todavia, depois da revolução industrial e das grandes guerras, nota-se que a mulher saiu do papel de cuidadora do lar, para assumir duas jornadas diárias: o emprego formal fora de casa, sem deixar de lado suas “obrigações” com a família.

Algumas vezes, a jornada ainda tem uma terceira etapa, comum para aquelas que também estudam. Com isso, observa-se um aumento significativo de problemas de saúde da mulher como as doenças degenerativas e imunológicas.

E dentre as principais causas desses males está o estresse. Em uma pesquisa da Associação Internacional do Controle do Estresse, o Brasil ficou em segundo lugar entre os países com os maiores níveis de estresse do mundo. Outro estudo, realizado pelo Programa de Avaliação do Estresse da Beneficência Portuguesa de São Paulo, aponta que as mulheres, por conta de suas duplas ou triplas jornadas, são mais atingidas pelo mal que os homens.

É importante destacar que o estresse pode impactar na saúde mental e física. E, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), para que uma população tenha saúde, é necessário que tenha bem-estar físico, mental e social. Estamos falando de mais uma questão de saúde que atinge, principalmente, as mulheres.

Quando passamos por estresse em excesso, seja por um período curto ou longo, o sistema imunológico se desestrutura e o corpo começa a liberar histamina para tentar resolver o problema, basicamente, desenvolvendo uma reação alérgica.

Outra alteração comum é em relação ao peso, que pode variar muito por conta da liberação do hormônio cortisol, que interfere na capacidade do corpo para processar o açúcar no sangue, assim como no metabolismo de gorduras, proteínas e carboidratos, o que pode causar ganho ou perda de peso. O estresse também pode levar pessoas a hábitos alimentares nocivos, como comer demais ou de menos.

Dores de cabeça também são comuns em pessoas estressadas devido à liberação de substâncias químicas que alteram os nervos e vasos sanguíneos no cérebro. E, se a pessoa tem propensão à enxaqueca, o estresse pode piorá-la. Como se já não fosse o suficiente, ele abala o funcionamento do trato gastrointestinal, suprime o sistema imunológico e leva à perda significativa de cabelo.

E até aqui, tratamos apenas da fase inicial. O estresse pode resultar em problemas mais graves como a síndrome de pânico, problemas cardiovasculares, envelhecimento precoce e algumas doenças autoimunes, que podem resultar na destruição lenta de tipos específicos de células, tecidos, órgãos ou articulações, interferir na estimulação do crescimento de um órgão ou na sua função.

A prevenção com a realização de exames periódicos para um diagnóstico precoce é a maneira mais correta de se antecipar às doenças, o que, nas maiorias das vezes, facilita o tratamento. Mas, especialmente para as mulheres, que tanto lutam pela conquista de espaços na sociedade e, por conta disso, acabam acumulando inúmeras tarefas, eu destacaria a necessidade de rever os conceitos de vida. Esse ainda e o melhor remédio.

Cobre-se menos, divida ou delegue as tarefas do dia a dia e encontre tempo para cuidar de si, para praticar atividades físicas leves e constantes, como dança de salão. Busque se alimentar bem e nos horários corretos, sem correria, com alimentos frescos e sem agrotóxicos, se possível.

* Flavio Sussumu Yasuda é farmacêutico bioquímico, mestre em Farmácia e professor do curso de Farmácia da Anhanguera de Jundiaí.



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